Conceição do Mato Dentro protagonizou uma das maiores transformações no ranking de recebimento de royalties da mineração em Minas Gerais entre 2016 e 2025. Em dez anos, o município passou da sétima posição entre as cidades analisadas para a liderança, que mantém desde 2020, e acumulou R$ 1,77 bilhão em receitas da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM).
O levantamento, elaborado a partir de dados declarados pelas prefeituras ao Tesouro Nacional, mostra que Conceição recebeu R$ 29 milhões em 2016. Em 2025, esse montante chegou a R$ 254,6 milhões, crescimento nominal de aproximadamente 778%.
Na prática, o valor anual recebido pelo município tornou-se quase nove vezes maior no intervalo de dez anos.
A evolução não ocorreu de maneira uniforme. Em 2017, a arrecadação municipal de CFEM alcançou R$ 41,4 milhões, mas recuou para R$ 23,6 milhões em 2018. A partir de 2019, quando os repasses chegaram a R$ 110,9 milhões, o município iniciou uma trajetória de forte expansão nos valores recebidos.
Em 2020, Conceição do Mato Dentro registrou R$ 201,4 milhões e assumiu a primeira posição entre as cidades mineiras pesquisadas.
O auge da série histórica ocorreu em 2021, quando a Prefeitura recebeu R$ 387,3 milhões, o maior repasse anual identificado para o município no levantamento.
Depois desse período, os valores diminuíram. Em 2022, foram R$ 259,1 milhões; em 2023, R$ 221,8 milhões; e, em 2024, R$ 240,2 milhões.
Em 2025, houve novo crescimento, com os repasses alcançando R$ 254,6 milhões, alta de aproximadamente 6% em relação ao ano anterior.
Mesmo sem retornar ao patamar excepcional de 2021, Conceição manteve a liderança anual e encerrou a década à frente de Congonhas, que acumulou R$ 1,62 bilhão, e Itabira, com R$ 1,46 bilhão.
A mineração de ferro ocupa posição central na atividade econômica do município, onde está instalado o empreendimento Minas-Rio, operado pela Anglo American. Entretanto, a identificação das causas específicas das oscilações anuais exige a análise de informações operacionais e financeiras da atividade minerária.
O crescimento das receitas também amplia o debate sobre a utilização dos royalties em investimentos públicos, infraestrutura e diversificação econômica, especialmente porque a CFEM representa uma receita vinculada à exploração de recursos minerais não renováveis.
O estudo considera apenas os valores declarados como recebidos pela Prefeitura, sem correção monetária, e não permite identificar como os recursos foram aplicados no orçamento municipal.


