A australiana Oceana Metals concluiu a aquisição do projeto Serra Negra, de terras raras e nióbio, localizado entre Patrocínio e Guimarânia, no Alto Paranaíba, em Minas Gerais. O negócio envolve a compra integral da Songeo Mineração, empresa responsável pelo empreendimento.
Pela aquisição, a Oceana desembolsou US$ 2,95 milhões em dinheiro e emitiu cerca de 15,5 milhões de ações. O acordo ainda prevê pagamentos adicionais de até US$ 2,25 milhões, vinculados ao avanço das atividades de pesquisa mineral.
A transação amplia a presença de empresas australianas na busca por minerais considerados estratégicos em Minas Gerais e coloca Serra Negra em uma região que vem atraindo investimentos em terras raras e nióbio.
Projeto de terras raras avança com 20 mil metros de sondagem
O Serra Negra está inserido em um complexo geológico com aproximadamente 10 quilômetros de diâmetro. De acordo com a Oceana, a área conhecida de mineralização de terras raras mais que dobrou após uma nova análise de sondagens realizadas anteriormente, ultrapassando 4,5 quilômetros quadrados.
Resultados divulgados pela companhia apontaram intervalos de 50 metros com concentração média de 4% de óxidos totais de terras raras. Outro trecho, de 22 metros, apresentou teor médio de 4,7%.
Atualmente, quatro sondas trabalham no empreendimento. A Oceana conduz um programa de aproximadamente 20 mil metros de perfurações e prevê divulgar nos próximos meses a primeira estimativa oficial de recursos minerais do Serra Negra.
O avanço da pesquisa ocorre enquanto a empresa busca ampliar o conhecimento sobre o depósito e definir a dimensão e as características da mineralização existente na área.
Nióbio e terras raras atraem novas empresas para Minas
O projeto também está inserido em uma região que ganhou destaque com os avanços da australiana St George Mining no projeto Araxá. O empreendimento, em estágio mais avançado de exploração e desenvolvimento, já possui recursos minerais estimados em 111,2 milhões de toneladas, com concentrações médias de 3,57% de óxidos de terras raras e 0,57% de óxido de nióbio.
A St George também avança em estudos de viabilidade e testes de processamento mineral. Os resultados obtidos no projeto Araxá passaram a servir como referência para outras empresas interessadas em depósitos de minerais estratégicos em Minas Gerais.
A própria Oceana já mencionou Araxá em comunicações destinadas à bolsa australiana ao comparar o potencial geológico do Serra Negra com o projeto da St George.
O nióbio é utilizado principalmente na fabricação de aços especiais de alta resistência. Já as terras raras são matérias-primas importantes para a produção de ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas eólicas e diferentes equipamentos industriais.
Apesar da conclusão da aquisição, o projeto Serra Negra ainda depende de uma decisão da Agência Nacional de Mineração (ANM) sobre pedidos para incluir terras raras e nióbio em dois títulos minerários. A expectativa da empresa é receber uma manifestação definitiva no primeiro trimestre de 2027.


