USA Rare Earth assume Serra Verde em negócio de US$ 300 milhões e amplia controle sobre terras raras brasileiras

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A corrida internacional por terras raras ganhou um novo capítulo com a conclusão da aquisição da Serra Verde pela norte-americana USA Rare Earth. A operação envolve um dos ativos mais estratégicos do Brasil no segmento e coloca a mina Pela Ema, em Minaçu, Goiás, dentro de uma cadeia internacional que pretende avançar da extração de minerais até a produção de materiais e ímãs permanentes.

O fechamento do negócio ocorreu em 3 de setembro e foi anunciado pela USA Rare Earth no dia seguinte. Conforme os documentos apresentados pela companhia, a operação foi estruturada com US$ 300 milhões em pagamento em dinheiro e a emissão de 126.849.307 ações da empresa norte-americana aos envolvidos na transação.

A aquisição havia sido anunciada originalmente em abril. Em 28 de agosto, os acionistas da USA Rare Earth aprovaram a operação, permitindo a conclusão da transação.

Terras raras brasileiras ganham peso na estratégia americana

A Serra Verde não é apenas mais uma operação mineral. A empresa é responsável pela mina Pela Ema, em Goiás, considerada pela USA Rare Earth como a única produtora em escala dos quatro elementos magnéticos e de outras terras raras pesadas críticas fora da Ásia. A operação brasileira iniciou sua produção em janeiro de 2024 e passa por uma etapa de otimização e expansão.

Com a aquisição, o ativo goiano passa a integrar a estratégia da USA Rare Earth de construir uma cadeia de fornecimento de terras raras fora da Ásia. O plano envolve conectar mineração e processamento à produção de metais, ligas e ímãs permanentes, segmentos considerados fundamentais para tecnologias avançadas e aplicações industriais e de defesa.

A movimentação acontece justamente em um cenário de forte disputa internacional pelo acesso a minerais estratégicos. A dependência das cadeias asiáticas, especialmente da China, tornou as terras raras uma questão que ultrapassa o mercado de mineração e alcança setores como tecnologia, energia, defesa e segurança de suprimentos.

Minaçu entra no tabuleiro geopolítico das terras raras

A entrada da Serra Verde no portfólio da USA Rare Earth ocorre em um momento particularmente relevante para o Brasil. O país busca transformar suas reservas minerais em maior participação nas etapas de processamento e industrialização, enquanto Estados Unidos e outras potências procuram ampliar fontes alternativas de fornecimento.

A própria USA Rare Earth informou que a combinação com a Serra Verde cria uma das poucas plataformas integradas de terras raras e fabricação de ímãs permanentes fora da Ásia.

O movimento também ganha dimensão financeira. Além do valor pago diretamente na aquisição, a Serra Verde está ligada a uma estrutura de financiamento de US$ 1,55 bilhão destinada a apoiar a compra futura da produção da mina Pela Ema por um veículo apoiado pelo governo dos Estados Unidos.

Na prática, o negócio transforma Minaçu em um ponto ainda mais relevante dentro da disputa mundial por minerais capazes de sustentar novas tecnologias e reduzir a dependência de fornecedores concentrados em poucos países.

Para o Brasil, a operação levanta uma discussão que vai além do valor da transação: como aproveitar suas reservas de terras raras para gerar mais processamento, tecnologia e valor agregado dentro do próprio país em um mercado cada vez mais estratégico.

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