O Brasil ainda terá de percorrer um longo caminho até conseguir produzir, de forma integral e dentro do próprio território, os ímãs permanentes fabricados a partir de terras raras. A estimativa é que o país precise de pelo menos mais seis anos para dominar todas as etapas necessárias, podendo chegar a um horizonte entre 2032 e 2035.
A previsão foi apresentada por André Luis Pimenta Faria, coordenador do Centro de Inovação e Tecnologia do Senai para Ímãs de Terras Raras (CIT Senai ITR), durante um debate realizado na Exposibram 2026, em Belo Horizonte.
Apesar de possuir reservas relevantes desses minerais e de avançar na implantação de projetos de mineração, o país ainda enfrenta obstáculos tecnológicos e industriais que impedem uma produção nacional completa.
Ímãs de terras raras exigem muito mais do que mineração
A construção de uma cadeia nacional não termina quando o minério é retirado do solo. Depois da extração, é necessário separar e processar os elementos de terras raras, produzir materiais com características específicas, desenvolver ligas metálicas e avançar nas tecnologias utilizadas na fabricação dos próprios ímãs.
Outro desafio está na infraestrutura industrial. O Brasil ainda precisa ampliar a capacidade de processamento e desenvolver ou nacionalizar equipamentos capazes de sustentar uma produção em escala comercial.
Esse conjunto de etapas explica por que a existência de grandes reservas minerais, embora seja uma vantagem estratégica, não garante que o país consiga transformar seus recursos naturais em produtos tecnológicos de maior valor agregado.
Disputa global aumenta pressão para o Brasil avançar
Os ímãs permanentes estão presentes em tecnologias que vão desde motores de veículos elétricos e turbinas eólicas até equipamentos eletrônicos, sistemas de automação e aplicações relacionadas à defesa.
A importância desses componentes cresceu com a busca internacional por minerais considerados críticos para a transição energética e para a redução das emissões de carbono. Nesse cenário, ter domínio sobre a cadeia de produção passou a ser também uma questão de segurança industrial e tecnológica.
A China ocupa posição dominante no processamento e na produção mundial de terras raras, o que faz com que outras economias busquem desenvolver fornecedores e estruturas próprias para diminuir sua exposição à dependência externa.
Para o Brasil, o desafio é transformar suas reservas em capacidade industrial. Isso significa avançar simultaneamente na mineração, no processamento, na tecnologia e na fabricação, etapas que podem definir se o país será apenas fornecedor de matéria-prima ou conseguirá participar das fases mais sofisticadas dessa cadeia.


