A Anglo American encerrou o terceiro trimestre de 2026 com queda na produção de minério de ferro premium, mas o desempenho de Minas-Rio, em Minas Gerais, apresentou uma reação positiva. Entre julho e setembro, a companhia produziu 13,8 milhões de toneladas do produto, volume 4% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.
Os números fazem parte do relatório operacional divulgado nesta terça-feira (20), com dados referentes aos três meses encerrados em 30 de setembro. Apesar da retração na produção consolidada de minério de ferro premium, a empresa informou que Minas-Rio teve maior disponibilidade da planta durante o trimestre.
O resultado ocorre enquanto a Anglo American avança em uma ampla reorganização de seu portfólio global, com vendas de ativos e concentração planejada em cobre, minério de ferro premium e nutrientes agrícolas.
Anglo American mantém projeção para 2026
Segundo a companhia, a redução na produção de minério de ferro premium esteve relacionada principalmente ao início da conexão do primeiro módulo de separação por meio de ultra-alta densidade, conhecido como UHDMS, na operação de Kumba, na África do Sul.
Em Minas-Rio, o cenário foi diferente. A maior disponibilidade da planta contribuiu para compensar parcialmente o efeito da operação em Kumba, que já estava prevista no planejamento da empresa.
Para 2026, a Anglo American mantém a expectativa de produzir entre 55 milhões e 59 milhões de toneladas de minério de ferro premium. Desse total, a previsão para Minas-Rio está entre 24 milhões e 26 milhões de toneladas, enquanto Kumba deve responder por 31 milhões a 33 milhões de toneladas.
O desempenho do trimestre também foi influenciado pelo cenário de preços. O valor médio realizado para o minério de ferro premium ficou em US$ 82 por tonelada no acumulado do ano até o terceiro trimestre, uma redução de 11% em relação aos US$ 92 registrados no mesmo período de 2025.
Duncan Wanblad, CEO da Anglo American, afirmou: “No segmento de minério de ferro premium, Minas-Rio se beneficiou da maior disponibilidade da planta, enquanto a conexão do primeiro módulo de separação por meio de ultra-alta densidade (UHDMS) de Kumba reduziu a produção conforme planejado, embora as vendas não tenham sido muito afetadas, já que os estoques foram reduzidos.”
Minas-Rio ganha relevância enquanto empresa reorganiza negócios
Além do minério de ferro, o relatório mostrou resultados distintos entre os demais negócios. A produção de cobre caiu 5%, para 175 mil toneladas, enquanto o manganês avançou 6%, chegando a 1,03 milhão de toneladas.
Nos negócios que estão em processo de saída, o carvão metalúrgico teve forte alta de 53% na produção trimestral, alcançando 2,9 milhões de toneladas. A produção de níquel cresceu 3%, para 10,4 mil toneladas, enquanto os diamantes recuaram 11%, para 6,8 milhões de quilates.
A companhia também informou que a venda de seu negócio de carvão metalúrgico na Austrália para a Dhilmar, por até US$ 3,875 bilhões em dinheiro, segue prevista para ser concluída até o primeiro trimestre de 2027. A empresa continua ainda trabalhando na aprovação regulatória para a venda do negócio de níquel.
Outro movimento estratégico envolve a fusão com a Teck, que pretende criar uma companhia global voltada principalmente para metais e minerais, com forte concentração em cobre. Segundo a Anglo American, o processo de integração está avançado e o prazo estimado para conclusão permanece em março de 2027.
No Brasil, o desempenho de Minas-Rio ganha importância dentro desse cenário de reorganização. A operação, responsável pela produção de minério de ferro premium, permanece entre os ativos que fazem parte do portfólio que a companhia pretende manter enquanto reduz sua exposição a outros negócios.


