ANTT aprova edital do Corredor Minas-Rio e destrava primeiro leilão ferroviário federal em cinco anos

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A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou a versão definitiva do edital de concessão do Corredor Ferroviário Minas-Rio, em um movimento que amplia a agenda de recuperação e expansão da malha ferroviária brasileira. O projeto prevê a transferência da operação de cerca de 733 quilômetros de trilhos atualmente administrados pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) para um novo operador.

O corredor será dividido em dois lotes. O primeiro ligará Iguatama (MG) a Barra Mansa (RJ), incluindo o ramal entre Varginha e Lavras. O segundo compreenderá o trecho entre Barra Mansa e Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. O futuro concessionário ficará responsável pela manutenção, recuperação e modernização da infraestrutura e terá até dois anos para apresentar um plano de recapacitação da ferrovia.

Segundo o diretor da ANTT e relator do processo, Marcelo Fonseca, o modelo pode se tornar uma referência para futuros chamamentos públicos de autorização ferroviária, especialmente por tratar da retomada de trechos já existentes e que estão ociosos ou parcialmente abandonados. A Diretoria Colegiada também alterou as regras da etapa de viva-voz do leilão para tornar mais ágil a disputa entre propostas com valores próximos.

Ferrogrão e novos projetos

O movimento ocorre em meio à tentativa da ANTT de destravar uma carteira de projetos ferroviários considerados estratégicos. O diretor-geral da Agência, Guilherme Theo Sampaio, afirmou que o edital da Ferrogrão deve ser encaminhado ao Tribunal de Contas da União (TCU) nas próximas semanas, com previsão de leilão em 2027. O projeto enfrenta discussões ambientais e relacionadas a povos originários, mas, segundo Sampaio, essas questões já foram delimitadas e incorporadas à modelagem.

Ainda em 2026, a ANTT prevê publicar o edital de chamamento público para o trecho entre Arcos (MG) e Barra Mansa (RJ) e, no último trimestre, o edital da Estrada de Ferro 118, ligando Vitória (ES) ao Porto do Açu (RJ).

Para 2027, a carteira da Agência prevê também o avanço dos projetos da Ferrogrão, da Malha Oeste e da Malha Sul.

Financiamento

Outro ponto central para a expansão ferroviária é o financiamento dos novos projetos. De acordo com Guilherme Theo Sampaio, o BNDES vem estruturando linhas com valores maiores e prazos mais longos, que poderão ser combinadas com debêntures e recursos próprios das operadoras.

A expectativa da ANTT é que a ampliação das alternativas de financiamento ajude a viabilizar investimentos represados e acelere a recuperação de trechos ferroviários existentes, além da implantação de novas conexões estratégicas para o transporte de cargas no país.

 

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