Amig cobra fortalecimento da ANM para evitar novos desastres com barragens

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A Associação de Municípios Mineradores de Minas Gerais e do Brasil (Amig) divulgou, nesta quarta-feira (14), um manifesto em alusão ao Dia Internacional de Luta Contra as Barragens. A entidade lembra que em Minas Gerais estão localizadas 35 das 64 estruturas em situação de emergência no Brasil.

A entidade cobra do Governo Federal o fortalecimento da Agência Nacional de Mineração (ANM), como forma de evitar acidentes. O órgão encontra-se sucateado e vem de longa paralisação recente de servidores, que alegam falta de pessoal e más condições de trabalho. Um acordo com o governo vem sendo costurado pelas entidades que representam os servidores, mas ainda sem muitos avanços. Clique e relembre.

Veja o manifesto da Amig na íntegra

Nesta quinta-feira, 14 de março, marcada como o Dia Internacional de Luta Contra as Barragens, em Defesa dos Rios e da Vida, a diretoria da Associação dos Municípios MIneradores de Minas Gerais e do Brasil (AMIG), vem a público reforçar a urgência em fortalecer a fiscalização da atividade minerária no Brasil. O governo federal anunciou investimentos na Agência Nacional de Mineração (ANM), mas, segundo José Fernando Aparecido de Oliveira, presidente da AMIG, ainda há muito a ser feito. 

“Por lei, a ANM é responsável por fiscalizar um setor que movimenta R$ 340 bilhões por ano, o equivalente a 4% de todas as riquezas produzidas no país. “Ela teria de ter mais de 2 mil servidores em plena atividade. Esse é o organograma previsto em sua criação. Porém, tem de se virar com apenas 644 servidores, o que significa um déficit de 68,7% em sua força de trabalho”, destaca. 

De acordo com o último levantamento divulgado pela ANM, há 64 barragens de mineração em situação de emergência declarada no país, Minas Gerais concentra 35 nos níveis 1, 2 e 3 de emergência. Três delas estão no nível 3 – em que há risco de rompimento iminente. Além das barragens com emergência declarada, há outras 15 no Estado em nível de alerta, patamar anterior aos três níveis mais críticos.

“Há uma sonegação endêmica e cultural dentro da atividade de mineração que traz severos prejuízos ao país. Reestruturar a ANM é garantir que a cultura da autofiscalização e da autorregulamentação pare de existir entre as empresas mineradoras. Somente assim será possível evitar que desastres como Brumadinho e Mariana voltem a acontecer”, pontua. 

Em setembro de 2021, a ANM e a AMIG firmaram uma parceria para que municípios mineradores atuassem em conjunto com a agência na fiscalização. Cada cidade teria uma equipe de fiscais que seria treinada pela ANM, porém, com a falta de estrutura da agência, o projeto também está paralisado. “Atualmente, há apenas sete fiscais da agência reguladora para monitorar empresas de mineração do Brasil inteiro, um imenso absurdo. A AMIG tem trabalhado para oferecer alternativas; entretanto, se o governo federal precisa ser mais atuante no setor”, alerta o consultor de Desenvolvimento Econômico e Institucional da associação, Waldir Salvador. 

O consultor da AMIG reforça que o setor tem sofrido também com o desrespeito das empresas mineradoras que atuam em vários territórios municipais. “A AMIG está preocupada com os crimes e erros que estão sendo praticados todos os dias pela mineração legal, pelas empresas mineradoras dos mais diversos portes e tipos de exploração mineral. É importante salientar que a mineração legal nos sustenta, mas também nos amedronta todos os dias, afinal, continuam fazendo autorregulação e funcionando como acham que devem. Cometem crimes de sonegação de royalties e tributos, crimes ambientais e seguem impunes, com os cofres enriquecidos”, salienta.

Waldir Salvador reforça que “o tempo urge e a AMIG está sempre disposta a contribuir. “Vamos fortalecer nossos acordos de cooperação técnica e para que continuar com nossa cobrança ao governo para que a ANM possa se estruturar, ter uma equiparação salarial com as demais agências e ter condições para, não somente fiscalizar, mas também promover a mineração sustentável e segura.”

 

 

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