Um estudo apresentado durante a ABM Week 10 colocou os agregados siderúrgicos no centro da discussão sobre alternativas para a conservação de estradas não pavimentadas. A experiência conduzida pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) em um trecho da BR-259, no Espírito Santo, indicou uma diferença expressiva nos gastos de manutenção ao longo de três anos.
No cenário avaliado, a estimativa para conservar 31 quilômetros de estrada mantida apenas com solo natural chegou perto de R$ 9 milhões. No trecho que recebeu agregado siderúrgico, os serviços necessários para corrigir problemas ficaram em aproximadamente R$ 430 mil.
Os dados foram apresentados durante a mesa-redonda “Aplicação sustentável de materiais secundários para revestimento primário em vias”, realizada no primeiro dia da ABM Week 10, em São Paulo.
Agregado siderúrgico entra no debate sobre economia circular
A aplicação do material foi testada como forma de melhorar as condições de tráfego em uma estrada não pavimentada. Antes da execução, equipes realizaram avaliações em campo e ensaios laboratoriais para encontrar uma composição adequada entre o solo existente e o agregado siderúrgico.
O serviço contou com uma recicladora, equipamento utilizado para acelerar a preparação da camada de melhoria da via. O acompanhamento posterior apontou resultados que chamaram atenção principalmente pela diferença entre os custos estimados de manutenção.
Estudos anteriores já haviam indicado a possibilidade de utilizar agregados siderúrgicos em bases e sub-bases de rodovias submetidas a tráfego intenso. O avanço da pesquisa busca ampliar as possibilidades de aplicação também em estradas que ainda não receberam pavimentação.
Material pode aumentar durabilidade das estradas
Além da possibilidade de reduzir despesas, outro aspecto destacado no debate foi a durabilidade proporcionada pelo uso do agregado siderúrgico. Estradas constituídas apenas por solo natural podem sofrer com processos erosivos provocados pelas chuvas, exigindo intervenções frequentes para recuperar as condições de circulação.
Na avaliação apresentada pelo DNIT, o material pode oferecer maior resistência aos ciclos de chuva e, consequentemente, ampliar o intervalo entre os trabalhos de conservação.
A mesa-redonda foi promovida pela Comissão Técnica de Economia Circular e Sustentabilidade da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM) e reuniu representantes da indústria, do setor público e da pesquisa para discutir o aproveitamento de materiais secundários em obras de infraestrutura.


