Brasil mineral, de quem é todo esse tesouro?

Publicado em

 

Por MM Advocacia Minerária.

 

Segundo a Constituição Federal de 1988, as jazidas, em lavra ou não, e demais recursos minerais e os potenciais de energia hidráulica constituem propriedade distinta da do solo, para efeito de exploração ou aproveitamento, e pertencem à União.

O Brasil tem diversos e abundantes recursos minerais, cuja exploração pode ser economicamente viável ou não. Quando um recurso mineral tem exploração de interesse econômico é chamado minério, para efeitos de direito minerário.

No território brasileiro, encontram-se diversas variedades de minérios, de maior ou menor valor econômico, essenciais a toda gama de produtos utilizados pela sociedade, em todos os cantos do mundo. Desde alimentos e medicamentos, até fertilizantes e construção civil; de material cirúrgico a equipamentos espaciais; aparelhos de uso doméstico e tudo que envolve a tecnologia da comunicação. Em toda parte estão os resultados das explorações minerárias.

A vida do brasileiro, desde a época colonial, e as descobertas das riquezas minerais que aqui se encontram, entrelaçam-se, constante e intimamente, ao longo da história e da evolução da nossa sociedade. Minas Gerais teve, em razão dessa relação, papel extremamente relevante, confundindo-se as turmalinas e as esmeraldas dos capitães e bandeirantes, fundando-se cidades adentro do território nacional.

Em razão dos recursos minerais que se encontram em seu território, o Quadrilátero Ferrífero, no nosso Estado, tornou-se uma das mais conhecidas regiões de concentração de ouro e minério de ferro de alto teor, desde meados do século XX, seguido, décadas após, pelo Pará, de sua controvertida Serra Pelada ao atual e não menos refutável complexo Carajás.

Do Quadrilátero Mineiro, onde o minério de ferro e o ouro são explorados, em larguíssima escala, são exemplos de extração de grande vulto, Itabira, por tantos anos, Barão de Cocais e Santa Bárbara, e Conceição do Mato Dentro, com o complexo Minas-Rio, pela Anglo American, e o futuro desafiador Projeto da Serra da Serpentina, pela brasileira Vale S.A, presença certa, esta, em múltiplos pontos do território nacional.

Ao norte e nordeste de Minas Gerais, Região de Salinas e do Jequitinhonha, o lítio desponta como riqueza mineral importante, essencial para a transição energética, necessária ao mundo em evolução, sendo grande aposta da Mineradora Sigma Lithium.

No centro-sul da Bahia, Maracás, a surpreendente exploração de vanádio, de uso essencial em medicamentos, única mina em território brasileiro.

E o que se dirá do nióbio, em Araxá – Minas, ainda – que faz do Brasil o maior produtor mundial?

Desde as composições minerais mais abundantes, em todo o país, como as areias e calcitas (calcáreo, mármore e giz) até o ouro e o cobre; ou as pedras preciosas, do nordeste mineiro, ou o raro topázio rosa, encontrado na região de Ouro Preto: muito há no país, explorado e a explorar.

A dimensão de tal riqueza não é, ainda, completamente conhecida. Será preciso apurá-la, catalogá-la. Sua exploração resulta em meios de intensificação do comércio, gira fortemente a economia mundial, e deve voltar-se ao pleno e justo desenvolvimento social, sem ofensa irreparável ao meio ambiente natural. Reside, neste ponto, a tão aclamada e necessária sustentabilidade.

Vê-se, porém, e de fato, a intensificação do comércio, tanto o legal quanto o ilegal; vê-se, inúmeras vezes, o dano ambiental grave; vê-se, também, o enriquecimento, mas, ao mesmo tempo, o conflito e o jugo.

Desde tempos remotos, o homem assenta-se sobre a terra, para produzir, para viver em comunidade e elaborar sua cultura. A sociedade brasileira segue esse padrão e formou-se, na busca da segurança de um lugar para abrigar-se e desenvolver-se, sendo, mesmo, tradicionalmente, conhecida a sua vinculação com a terra, com o imóvel “da família”.

Portanto, para o desenvolvimento social justo e sustentável, à família ou à comunidade que se encontre em território que encerre, em si, interesse minerário, não se pode dar as costas ou fechar os ouvidos e os olhos, negar a voz ou seus direitos. Há que se respeitá-los e à sua história, sua cultura, suas necessidades e sua dignidade.

 

Mariana Santos e Márcia Itaborahy

MM Advocacia Minerária

Matérias Relacionadas

Projeto da Vale prevê mais de 2 mil empregos e coloca Parauapebas diante de nova expansão da mineração

Projeto Alemão da Vale prevê mais de 2 mil empregos diretos na implantação de uma unidade de concentrado de cobre em Parauapebas, no Pará

Ferrovias batem recorde em 2025 e minério de ferro responde por 72% das cargas

Em 2025, as ferrovias brasileiras movimentaram 555,48 milhões de toneladas úteis, com o minério de ferro respondendo por cerca de 72% das cargas

Pará: Projeto Luanga prevê mina com capacidade para processar 10 milhões de toneladas de minério por ano

Projeto Luanga, localizado na região de Carajás, no Pará, prevê implantação de mina, unidade de beneficiamento e metalúrgica, com capacidade para processar até 10 milhões de toneladas de minério por ano

Mariana avança na política habitacional com construção de 352 apartamentos pelo Minha Casa, Minha Vida

Município assinou contratos para implantação de moradias populares e investimento de R$ 31,52 milhões em infraestrutura urbana; área também deverá receber novos projetos habitacionais

últimas Matérias

Terras raras no Sul de Minas atraem BNDES e podem movimentar R$ 3,5 bilhões em novo megaprojeto

Projeto Caldeira, entre Poços de Caldas e Caldas, pode ter participação do BNDES e prevê processamento de terras raras no Brasil em meio a acordo de R$ 3,5 bilhões da Lynas

ANM quer dividir fiscalização da mineração com estados e municípios e mira bilhões em royalties

A ANM quer ampliar a fiscalização da mineração com apoio de estados e municípios, monitorar barragens e empreendimentos e reforçar o controle da arrecadação da Cfem

Nióbio pode deixar carros mais leves e seguros e já representa 33% dos negócios da CBMM

O nióbio vem ganhando espaço na indústria automotiva por contribuir para a fabricação de...

Ternium investe R$ 25 bilhões no Brasil e comemora 20 anos na Bolsa de Nova York

Ternium completa 20 anos na Bolsa de Nova York, investe R$ 25 bilhões no Brasil e amplia aportes na Usiminas, no Rio de Janeiro e na formação técnica