ANM quer dividir fiscalização da mineração com estados e municípios e mira bilhões em royalties

Publicado em

A fiscalização da mineração no Brasil pode passar a contar com uma participação mais ampla de governos estaduais e prefeituras. A Agência Nacional de Mineração (ANM) busca ampliar a cooperação com essas administrações para acompanhar empreendimentos, reforçar a segurança de barragens e identificar possíveis falhas no recolhimento de royalties da atividade mineral.

A proposta ganha relevância em um setor que movimenta cifras bilionárias e exige acompanhamento técnico constante. Entre os pontos de atenção está a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem), receita destinada à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios, conforme as regras de distribuição previstas em lei.

A iniciativa também surge em meio às limitações de pessoal e de recursos enfrentadas pela agência federal. Com a participação de equipes locais, a expectativa é ampliar a capacidade de monitoramento e alcançar áreas que demandam fiscalização frequente.

Fiscalização da mineração pode ganhar reforço de prefeituras e governos estaduais

A cooperação em discussão prevê ações como vistorias em áreas minerárias, análise de imagens de satélite e coleta de informações sobre possíveis irregularidades. O trabalho poderá abranger tanto as condições dos empreendimentos quanto o cumprimento das obrigações relacionadas à exploração dos recursos minerais.

Segundo Waldir Salvador, consultor da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais e do Brasil (Amig), a proposta busca formalizar uma colaboração que já acontece entre a ANM e os municípios mineradores.

A participação de estados e prefeituras, porém, depende da estruturação das parcerias e da definição das responsabilidades de cada instituição. O objetivo é ampliar a presença fiscalizatória sem perder de vista as atribuições legais da agência federal.

Para os municípios mineradores, o acompanhamento da atividade tem impacto direto na gestão pública. A identificação de divergências na produção declarada ou no recolhimento de valores pode influenciar a arrecadação e, consequentemente, os recursos disponíveis para investimentos locais.

Cobrança de R$ 17,7 bilhões da Vale evidencia dimensão dos valores em disputa

A arrecadação da Cfem é um dos principais pontos de atenção nesse processo. A reportagem que apresenta a iniciativa destaca um auto de infração relacionado a uma cobrança de R$ 17,7 bilhões da Vale, cifra que evidencia a dimensão financeira de disputas envolvendo obrigações do setor mineral.

A existência de uma cobrança dessa magnitude não significa, por si só, que o valor tenha sido definitivamente reconhecido ou pago. Para avaliar o caso, é necessário considerar os fundamentos do auto de infração, a fase administrativa ou judicial e eventuais decisões posteriores.

O reforço da fiscalização busca justamente melhorar o controle sobre as atividades minerárias e reduzir possíveis perdas de arrecadação. Em estados como Minas Gerais, onde a mineração tem peso expressivo na economia de diversos municípios, a qualidade desse acompanhamento é especialmente relevante.

A ampliação das parcerias poderá aproximar a fiscalização da realidade local, desde que haja capacitação técnica, compartilhamento de informações e critérios claros para a atuação conjunta. O resultado dependerá da capacidade de transformar a cooperação institucional em monitoramento efetivo e maior transparência na exploração dos recursos minerais.

Matérias Relacionadas

Ferrovias batem recorde em 2025 e minério de ferro responde por 72% das cargas

Em 2025, as ferrovias brasileiras movimentaram 555,48 milhões de toneladas úteis, com o minério de ferro respondendo por cerca de 72% das cargas

Pará: Projeto Luanga prevê mina com capacidade para processar 10 milhões de toneladas de minério por ano

Projeto Luanga, localizado na região de Carajás, no Pará, prevê implantação de mina, unidade de beneficiamento e metalúrgica, com capacidade para processar até 10 milhões de toneladas de minério por ano

Mariana avança na política habitacional com construção de 352 apartamentos pelo Minha Casa, Minha Vida

Município assinou contratos para implantação de moradias populares e investimento de R$ 31,52 milhões em infraestrutura urbana; área também deverá receber novos projetos habitacionais

Empresa australiana aposta R$ 3 milhões em antiga mina de tungstênio da Segunda Guerra no Rio Grande do Norte

Gold Mountain avalia investir R$ 3 milhões na antiga mina Malhada do Angico, no RN, e inicia pesquisas para identificar o potencial do tungstênio

últimas Matérias

Terras raras no Sul de Minas atraem BNDES e podem movimentar R$ 3,5 bilhões em novo megaprojeto

Projeto Caldeira, entre Poços de Caldas e Caldas, pode ter participação do BNDES e prevê processamento de terras raras no Brasil em meio a acordo de R$ 3,5 bilhões da Lynas

Nióbio pode deixar carros mais leves e seguros e já representa 33% dos negócios da CBMM

O nióbio vem ganhando espaço na indústria automotiva por contribuir para a fabricação de...

Ternium investe R$ 25 bilhões no Brasil e comemora 20 anos na Bolsa de Nova York

Ternium completa 20 anos na Bolsa de Nova York, investe R$ 25 bilhões no Brasil e amplia aportes na Usiminas, no Rio de Janeiro e na formação técnica

Mina brasileira de terras raras pode ser 3 vezes maior que a maior da China, afirma CEO

Ore Minerals relata interesse de investidores chineses em projetos brasileiros e destaca o potencial da mina de Rio Negro no mercado de terras-raras