O transporte ferroviário brasileiro alcançou um novo recorde em 2025. As ferrovias movimentaram 555,48 milhões de toneladas úteis de cargas ao longo do ano, crescimento de 2,57% em relação a 2024. Foi o terceiro recorde anual consecutivo registrado pelo modal, segundo dados do Ministério dos Transportes.
O resultado reforça o papel estratégico dos trilhos na conexão entre áreas produtoras, centros de distribuição, polos industriais e portos utilizados para o comércio exterior.
A mineração ocupa posição central nessa estrutura. O minério de ferro respondeu por cerca de 401,35 milhões de toneladas úteis movimentadas pelas ferrovias em 2025. O volume representa aproximadamente 72% de toda a carga transportada pelo modal.
Os números mostram como a cadeia mineral está diretamente ligada à infraestrutura logística brasileira. Grandes volumes de minério percorrem longas distâncias por ferrovia até unidades industriais, terminais e portos, especialmente nos corredores que conectam as principais regiões produtoras ao mercado externo.
Mineração e logística impulsionam as ferrovias
O peso do minério de ferro também ajuda a explicar a importância dos investimentos em ferrovias para a competitividade da mineração brasileira. O transporte sobre trilhos permite movimentar grandes volumes de carga em operações de longa distância e integra diferentes etapas da cadeia produtiva.
Minas Gerais, Pará e outros estados produtores dependem dessa infraestrutura para escoar sua produção. A ligação entre minas, ferrovias e portos é fundamental para que o minério brasileiro alcance siderúrgicas e mercados internacionais.
A própria Agência Nacional de Transportes Terrestres mantém dados detalhados sobre a produção ferroviária, incluindo volumes transportados por mercadoria, concessionária e trecho. O Anuário do Setor Ferroviário reúne essas informações e permite acompanhar a evolução do transporte de cargas no país.
Agro também avança
Embora o minério de ferro continue dominante, outros setores também ampliaram sua participação no transporte ferroviário. O agronegócio apresentou crescimento de 4,62% em 2025, impulsionado principalmente pelo aumento da produção de grãos e pela utilização de corredores ferroviários para levar a produção do interior até os portos.
Soja, celulose e outros produtos agrícolas vêm ganhando espaço nos trilhos e reforçam a função das ferrovias como corredores de exportação.
Esse movimento amplia a importância de uma rede ferroviária integrada. Na prática, os trilhos aproximam regiões produtoras dos grandes centros consumidores e dos portos, criando uma conexão essencial entre produção, indústria e comércio exterior.
Novos investimentos
O avanço da movimentação ocorre em um momento de expansão dos projetos ferroviários no país. A ANTT e o Ministério dos Transportes vêm estruturando novas concessões e projetos para ampliar a malha e a capacidade de transporte.
Entre os projetos em desenvolvimento está a Ferrovia EF-118, que deverá conectar o Rio de Janeiro ao Espírito Santo. Com aproximadamente 575 quilômetros, o empreendimento prevê a integração com portos como Vitória e Açu e poderá beneficiar setores como mineração, indústria e agronegócio.
Segundo a ANTT, a ferrovia tem potencial para movimentar cerca de 40 milhões de toneladas de cargas por ano e contribuir para a redução de gargalos logísticos no Sudeste.
O cenário mostra que a expansão ferroviária não representa apenas uma mudança na matriz de transportes. Para a mineração, significa ampliar a capacidade de conexão entre áreas produtoras e os mercados consumidores e exportadores.
Com mais de 555 milhões de toneladas úteis movimentadas em 2025, os trilhos consolidam sua importância para a economia brasileira. E, nesse sistema, o minério de ferro continua sendo o principal combustível da movimentação ferroviária nacional.


