PF indicia 17 pessoas, incluindo presidente da ANM, por mineração ilegal na Serra do Curral em esquema com lucro estimado de R$ 2,3 bilhões

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A investigação conduzida pela Polícia Federal sobre a exploração irregular de minério na Serra do Curral ganhou um novo capítulo. O inquérito da Operação Parcours resultou no indiciamento de 17 pessoas apontadas como integrantes de um esquema que teria utilizado instrumentos ambientais para encobrir a continuidade da atividade minerária em uma área protegida de Belo Horizonte.

Entre os indiciados está o presidente da Agência Nacional de Mineração (ANM), Mauro Henrique Moreira Sousa. O relatório da PF foi encaminhado ao Ministério Público Federal, que agora avaliará se apresentará denúncia à Justiça pelos crimes apontados durante a investigação.

Como a mineração ilegal na Serra do Curral teria sido mantida

De acordo com as apurações da Polícia Federal, o grupo formado por empresários, consultores, geólogos e agentes públicos teria recorrido a documentos voltados à recuperação ambiental para ocultar a retirada comercial de minério de ferro na Mina Granja Corumi.

Segundo o inquérito, o Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD) e o Plano de Fechamento de Mina (PFM), que deveriam servir para restaurar a região explorada, foram utilizados para justificar intervenções que, na prática, permitiram a continuidade da extração mineral.

Enquanto os órgãos responsáveis acreditavam que o local passava por um processo de recuperação, a exploração seguia normalmente, gerando um potencial de faturamento estimado em até R$ 2,3 bilhões.

As investigações também indicam que profissionais técnicos elaboravam pareceres e laudos para mascarar a atividade, enquanto servidores ligados à Agência Nacional de Mineração e integrantes de órgãos ambientais teriam favorecido a empresa por meio da aprovação de documentos e da ausência de medidas fiscalizatórias. Além disso, consultores teriam atuado como elo entre a mineradora e agentes públicos, facilitando o andamento dos processos administrativos.

Outra empresa mencionada no relatório é a Fleurs Global Mineração, apontada como responsável pelo beneficiamento e pelo transporte do minério retirado da área investigada.

Operação aponta danos ambientais e prejuízo milionário

As conclusões da Polícia Federal também destacam uma série de impactos ambientais provocados pela atividade na Serra do Curral, região protegida por tombamento. Entre os danos identificados estão a destruição da nascente do Córrego Taquaril, a abertura de cavas além dos limites autorizados, a ausência da recuperação da vegetação e possíveis comprometimentos do lençol freático.

Os 17 investigados responderão por crimes que incluem organização criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, crimes ambientais e usurpação de bens da União.

A Operação Parcours foi deflagrada em março de 2025 com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Ministério Público Federal (MPF). Na ocasião, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Belo Horizonte, Brasília e São Paulo, além do bloqueio de bens, do afastamento de servidores da ANM e da suspensão das atividades da mineradora investigada.

Segundo a investigação, o esquema teria funcionado desde 2014, causando prejuízo estimado em R$ 832 milhões aos cofres públicos. Perícias técnicas e auditorias também concluíram que, em vez de promover apenas a recuperação da antiga mina, a empresa abriu novas cavas para ampliar a retirada de minério, provocando impactos ambientais ainda mais significativos na Serra do Curral.

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