A investigação sobre a agressão sofrida pela deputada federal Duda Salabert (PSol-MG) e pelo engenheiro ambiental Felipe Gomes teve um novo desdobramento. A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) prendeu um dos suspeitos de participar do ataque ocorrido durante uma fiscalização de denúncia de mineração ilegal em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A prisão foi anunciada pela parlamentar na quinta-feira (29).
O episódio aconteceu na madrugada de 4 de setembro, quando os dois estiveram em uma área próxima à MG-356 para verificar uma possível exploração irregular de minério. A iniciativa terminou em violência, com perseguição, agressões físicas e ameaças de morte.
Em publicação nas redes sociais, Duda comemorou a prisão, mas ressaltou que a identificação dos agressores não encerra o caso.
“Naquela madrugada, fomos perseguidos, espancados e ameaçados. Saí de lá com o ombro deslocado e a convicção de que poderíamos ter sido mortos”, afirmou a deputada nas redes sociais.
Mineração ilegal coloca investigação sobre financiadores no centro da cobrança
Apesar de considerar a prisão um avanço, a parlamentar defendeu que as autoridades aprofundem as apurações para descobrir quem está por trás da atividade criminosa. Para ela, responsabilizar apenas aqueles que executaram as agressões não é suficiente para esclarecer toda a situação.
“A prisão é uma vitória importante, mas não basta prender quem agride. É preciso chegar a quem financia o crime!”, declarou.
Duda também levantou questionamentos sobre o destino do minério retirado irregularmente e os possíveis beneficiários financeiros da exploração. A deputada destacou que os impactos desse tipo de atividade vão além dos danos ambientais e podem atingir diretamente a segurança de pessoas que denunciam irregularidades.
“A mineração ilegal não destrói apenas nossas montanhas, nossos rios e nossas florestas. Ela também coloca vidas em risco”, acrescentou.
Ameaças de morte e agressões deixaram vítimas feridas
Na madrugada do ataque, Duda Salabert contou que foi abordada por dois homens enquanto tentava documentar a possível extração irregular de minério. Durante a abordagem, um deles teria ordenado ao comparsa que buscasse um objeto para utilizar contra as vítimas.
O engenheiro ambiental Felipe Gomes também foi derrubado e atingido com socos e chutes. Segundo os relatos, os agressores repetiram ameaças de morte durante o episódio, aumentando a gravidade da violência.
A fuga ocorreu quando a deputada conseguiu pular um barranco em direção à MG-356. Na rodovia, ela pediu socorro a um motorista que passava pelo local.
Duda foi levada ao Hospital Mater Dei, em Belo Horizonte, onde recebeu atendimento por luxação no ombro direito, escoriações e ferimentos na perna. Felipe também relatou ter sido agredido durante a ocorrência.
Depois do episódio, a Polícia Civil abriu investigação para identificar os envolvidos. Com a prisão de um dos suspeitos, a parlamentar voltou a cobrar que o trabalho policial avance até os responsáveis pela estrutura financeira da suposta exploração ilegal.

