Canaã dos Carajás assumiu, em 2025, a liderança no recebimento de royalties da mineração entre as principais cidades mineradas do Pará, superando Parauapebas pela primeira vez na série histórica de 2016 a 2025.
Segundo levantamento elaborado a partir das receitas declaradas pelas prefeituras ao Tesouro Nacional, Canaã dos Carajás recebeu R$ 753,8 milhões em Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) em 2025, enquanto Parauapebas contabilizou R$ 683,7 milhões.
A diferença entre os municípios chegou a R$ 70,1 milhões, colocando Canaã dos Carajás à frente da cidade que havia liderado o ranking em todos os nove anos anteriores.
O resultado chama atenção pela velocidade de crescimento dos repasses destinados ao município ao longo da década.
Em 2016, Canaã dos Carajás recebeu apenas R$ 19,4 milhões em CFEM. Dez anos depois, o volume havia alcançado R$ 753,8 milhões, crescimento nominal de aproximadamente 3.786%.
Isso significa que os repasses de 2025 foram quase 39 vezes maiores que os registrados no primeiro ano da série.
A expansão começou a ganhar força a partir de 2018, quando a Prefeitura recebeu R$ 177,3 milhões, diante dos R$ 40,3 milhões contabilizados em 2017.
Em 2019, os valores chegaram a R$ 413 milhões e, no ano seguinte, alcançaram R$ 676,1 milhões.
O maior repasse anual ocorreu em 2021, quando Canaã dos Carajás recebeu R$ 1,11 bilhão, em um período de receitas elevadas da mineração também observado em outros municípios brasileiros.
Após o pico, houve retração para R$ 662 milhões em 2022 e R$ 625,9 milhões em 2023. Em 2024, a receita voltou a crescer, alcançando R$ 745,1 milhões, antes de atingir R$ 753,8 milhões em 2025.
Parauapebas, por sua vez, apresentou trajetória diferente. Depois de receber R$ 1,49 bilhão em 2021, o município contabilizou R$ 864,5 milhões em 2022 e R$ 713,4 milhões em 2023.
Os repasses tiveram recuperação em 2024, chegando a R$ 763 milhões, mas voltaram a cair em 2025.
Apesar da mudança na liderança anual, Parauapebas permanece como a maior beneficiária da CFEM no acumulado da década entre os municípios paraenses analisados, com R$ 6,90 bilhões.
Canaã dos Carajás aparece em segundo lugar, com R$ 5,23 bilhões.
Os dois municípios possuem importante atividade mineradora, incluindo operações da Vale na região de Carajás. Entretanto, a evolução dos repasses não permite determinar, isoladamente, quais fatores operacionais explicam a mudança de posição.
A liderança de Canaã dos Carajás em 2025 representa uma alteração significativa na distribuição das receitas minerais entre as principais cidades do Pará e evidencia o crescimento de sua participação no setor durante a última década.


