Vale diz que Brasil pode dobrar produção mineral e aponta o que trava novos projetos

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O Brasil pode ampliar significativamente sua produção mineral nos próximos anos caso consiga transformar recursos já conhecidos em novos empreendimentos. A avaliação é de Rafael Jabur Bittar, vice-presidente executivo técnico da Vale, que apontou potencial para o país pelo menos dobrar sua capacidade atual de produção.

A declaração foi feita durante o Invest Mining Summit 2026, em São Paulo, em um momento de forte pressão internacional por minerais estratégicos. O avanço da transição energética, a descarbonização da economia e o crescimento de tecnologias ligadas à inteligência artificial estão aumentando a necessidade global por matérias-primas minerais.

Na avaliação do executivo, o Brasil reúne condições geológicas favoráveis, mas precisa criar um ambiente mais previsível para que projetos de longo prazo saiam do papel.

Vale aponta potencial mineral ainda pouco aproveitado

Segundo Bittar, parte importante da oportunidade está em depósitos e projetos que já foram identificados, mas que ainda não chegaram à etapa de produção. A combinação entre conhecimento geológico e novas tecnologias pode permitir que o país avance sobre esse potencial.

A demanda internacional também aparece como um dos principais vetores para esse movimento. Além da necessidade de minerais associados à transição energética, a expansão dos data centers e o desenvolvimento da inteligência artificial ampliam o consumo de diferentes matérias-primas.

A própria Vale já estabeleceu uma meta de crescimento relevante nessa frente e pretende dobrar sua produção de cobre até 2035. O movimento acompanha uma tendência de maior valorização do mineral, considerado estratégico para setores relacionados à eletrificação e à transformação tecnológica.

Para que novas reservas sejam convertidas em produção, entretanto, o executivo avalia que não basta apenas encontrar o minério. Infraestrutura, disponibilidade de energia, tecnologia, conhecimento técnico e relacionamento com as comunidades também precisam acompanhar os investimentos.

Licenciamento aparece como ponto crítico para novos investimentos

Entre os fatores que podem acelerar ou retardar a abertura de novas operações está o processo de licenciamento ambiental. Bittar defendeu mudanças que aumentem a segurança para quem investe, sem retirar as exigências necessárias para a implantação dos empreendimentos.

A previsibilidade é considerada especialmente importante na mineração porque os projetos exigem grandes aportes financeiros e podem levar anos até entrarem efetivamente em operação. Para as empresas, maior clareza sobre prazos e etapas pode reduzir incertezas durante o planejamento.

Bittar também relacionou o avanço da indústria mineral à capacidade de o país desenvolver atividades posteriores à extração. Na visão do executivo, a expansão da cadeia depende primeiro da existência de uma produção mineral robusta.

A afirmação reforça a avaliação de que o Brasil precisa ampliar sua produção para criar condições para o desenvolvimento de etapas de processamento e transformação dos minerais dentro do próprio país.

Além dos investimentos em infraestrutura e energia, o executivo citou a tecnologia e a aceitação social como elementos essenciais para uma expansão sustentável da mineração.

A avaliação coloca o Brasil diante de uma oportunidade relevante em um mercado global cada vez mais dependente de minerais. O desafio, segundo a visão apresentada no evento, está em transformar o potencial geológico conhecido em produção efetiva, com investimentos capazes de gerar novas operações e ampliar a participação do país nas cadeias minerais estratégicas.

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