Estudo inédito revela impacto da indústria de rochas naturais na economia brasileira

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O Brasil ocupa a quarta posição entre os maiores produtores mundiais de rochas naturais e a quinta colocação no ranking internacional de exportadores do setor. Em 2025, as vendas brasileiras ao mercado externo alcançaram US$ 1,48 bilhão, consolidando a importância da atividade para a economia nacional.

Os dados integram o Panorama de Rochas Naturais do Brasil, estudo lançado na terça-feira (3), em Vitória, no Espírito Santo, pela Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas). A publicação foi desenvolvida tecnicamente pelo Observatório da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), com patrocínio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

O levantamento reúne informações sobre produção, exportações, distribuição territorial e impactos econômicos da cadeia produtiva. A proposta é oferecer uma visão mais abrangente da indústria, permitindo identificar sua participação na geração de empregos, renda e desenvolvimento regional.

Além de consolidar indicadores já disponíveis, o estudo apresenta estimativas sobre a contribuição econômica do setor, com informações que poderão subsidiar decisões empresariais, investimentos e a formulação de políticas públicas.

Espírito Santo concentra 80% das exportações brasileiras

O Espírito Santo mantém posição de destaque na indústria nacional de rochas naturais, sendo responsável por aproximadamente 80% das exportações brasileiras do segmento.

O estado também lidera a produção bruta, concentrando 38,1% do total nacional. Ceará e Minas Gerais aparecem entre os demais polos relevantes da atividade.

A participação capixaba reflete a consolidação de uma cadeia industrial que reúne extração, beneficiamento, comercialização e exportação de materiais utilizados principalmente na construção civil, na arquitetura e no mercado de revestimentos.

Apesar da liderança, o setor enfrenta desafios relacionados aos custos logísticos, à concorrência internacional e à necessidade de ampliar sua presença em diferentes mercados.

Durante o lançamento do estudo, o presidente do Sindicato da Indústria de Rochas Ornamentais, Cal e Calcários do Espírito Santo (Sindirochas), Bismark Bachiete, destacou que o acesso a informações qualificadas é fundamental para orientar estratégias de competitividade e identificar oportunidades de crescimento.

A concentração das exportações em determinados mercados também reforça a importância da diversificação comercial, especialmente diante de mudanças regulatórias e de possíveis barreiras ao comércio internacional.

Cadeia produtiva está presente em mais de 2,2 mil municípios

Um dos principais resultados apresentados pelo Panorama é a dimensão territorial da indústria brasileira de rochas naturais.

Segundo o levantamento, a cadeia produtiva possui atuação direta em 2.206 municípios, distribuídos por todas as regiões do país.

A abrangência demonstra que os efeitos econômicos da atividade não estão restritos aos principais estados produtores. A cadeia envolve diferentes etapas, desde a extração mineral até o processamento industrial, transporte, comercialização e prestação de serviços especializados.

Essa estrutura movimenta fornecedores de equipamentos, empresas de logística, indústrias de beneficiamento e atividades comerciais, ampliando os efeitos da produção sobre outras áreas da economia.

O estudo também busca dimensionar a contribuição do setor para a geração de empregos e riqueza, considerando sua relação com outras atividades produtivas.

Para desenvolver a publicação, o Observatório Findes utilizou dados de fontes oficiais, estudos técnicos, relatórios setoriais e entrevistas com empresários e especialistas.

A combinação dessas informações permitiu construir um diagnóstico sobre a distribuição geográfica da atividade, suas características econômicas e os principais obstáculos ao desenvolvimento da indústria.

Estudo pretende fortalecer decisões e políticas públicas

Na abertura do evento, o presidente da Centrorochas, Tales Machado, destacou a necessidade de ampliar a disponibilidade de informações confiáveis sobre o setor.

Segundo ele, a publicação responde a uma demanda da indústria por indicadores capazes de demonstrar sua relevância econômica e fortalecer o diálogo com autoridades públicas.

A proposta também é contribuir para discussões sobre infraestrutura, competitividade, tributação, comércio exterior e desenvolvimento regional.

Representando a presidência da Findes, a gerente executiva do Observatório Findes, Marília Silva, ressaltou a importância da indústria de rochas naturais para a geração de empregos, entrada de divisas e fortalecimento das economias locais.

A apresentação técnica dos resultados foi conduzida por Carolina Ferreira, gerente de Estudos Estratégicos do Observatório Findes, que detalhou os indicadores econômicos e a metodologia utilizada no levantamento.

Mercado internacional e competitividade estão entre os desafios

A inserção internacional da indústria brasileira também esteve entre os principais temas discutidos durante o lançamento.

O economista Orlando Caliman apresentou uma análise sobre a evolução econômica do setor, destacando a consolidação da indústria capixaba e a importância de identificar novas oportunidades comerciais.

O Brasil possui participação relevante no comércio mundial de rochas naturais, mas a manutenção dessa posição depende de fatores como eficiência logística, inovação industrial, competitividade de preços e acesso a mercados consumidores.

Nesse contexto, o vice-presidente da Centrorochas, Fábio Cruz, abordou as iniciativas de inteligência comercial desenvolvidas pela entidade em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

Também foram discutidas ações de defesa dos interesses da indústria nos Estados Unidos, incluindo a mobilização empresarial relacionada a debates regulatórios envolvendo a sílica.

O mercado norte-americano representa uma frente importante para a comercialização internacional de rochas naturais brasileiras, tornando as discussões regulatórias relevantes para as estratégias das empresas exportadoras.

Plataforma digital permitirá acompanhar indicadores do setor

Além da publicação impressa, distribuída durante o evento, o Panorama de Rochas Naturais do Brasil foi disponibilizado em formato digital, permitindo que empresários, pesquisadores e representantes do poder público consultem os dados reunidos no levantamento.

A Centrorochas também anunciou a previsão de lançamento, ainda em novembro, de uma plataforma interativa em seu site institucional.

A ferramenta deverá permitir a consulta de indicadores setoriais e receber atualizações periódicas, ampliando o acesso às informações sobre produção, comércio exterior e distribuição territorial da indústria.

O lançamento marcou ainda a primeira parceria entre a Centrorochas e o Sebrae para a elaboração de um estudo dessa natureza.

O evento reuniu empresários, representantes de entidades e autoridades públicas, entre elas o subsecretário de Desenvolvimento Econômico do Espírito Santo, Celso Guerra; a superintendente da Fetransportes, Simone Garcia; e a gerente regional da Agência Nacional de Mineração (ANM) no estado, Iramaya Sepulcre Salaroli.

Com a divulgação do Panorama, a indústria brasileira de rochas naturais passa a contar com uma base consolidada de informações para acompanhar seu desempenho, identificar oportunidades de expansão e fundamentar decisões estratégicas.

A iniciativa também evidencia a dimensão nacional de uma atividade que, embora tenha no Espírito Santo seu principal polo exportador, mantém presença econômica em milhares de municípios brasileiros.

 

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