Conferência Internacional Amazônia e Novas Economias: Jhon Kerry diz que é urgente acelerar transição energética

Publicado em

 

A despeito da eleição de um negacionista das mudanças climáticas como presidente dos EUA no início da semana – o republicano Donald Trump venceu a eleição contra a democrata Kamala Harris – na Conferência Internacional Amazônia e Novas Economias, o ex-secretário de Estado norte-americano e ex-senador John Kerry, considera que a humanidade “está no caminho errado” em temos do ritmo em que busca manter o nível de aquecimento global abaixo de 1,5°C, conforme os termos definidos no Acordo de Paris, em 2015. “Enviado especial para o clima” do governo de Joe Biden, ele diz que estabelecer um mercado de carbono global seria preponderante para enfrentar a crise climática com mais rapidez.

Kerry foi palestrante evento, realizado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) em Belém (PA). Segundo ele, o aquecimento do planeta atinge um patamar superior ao acordado em Paris. “Vai ser catastrófico em nível mundial. Já vemos destruição em massa, florestas afetadas, como a amazônica. Vemos secas e enchentes absurdas, pessoas mudando de lugar. Já são 39 milhões de pessoas consideradas refugiados do clima. Há o derretimento das calotas polares. É terrível e ameaçador para a nossa segurança”, afirmou.

A entrevista na conferência

Entrevistado pelo ex-ministro da Fazenda e diretor do banco Safra, Joaquim Levy, e por Shari Friedman, diretora do Eurasia Group, John Kerry, atualmente na iniciativa privada, participou da conferência por streaming de vídeo e defendeu que o mundo precisa acelerar a transição energética para substituir combustíveis fósseis por recursos de energia renovável. Segundo ele, é preciso “empoderar qualquer iniciativa que ajude a fazer a transição energética” (…) Estamos chegando ao ponto que quanto mais rápido melhor empregarmos mais energia renovável e deixarmos outras questões (que dificultam isso) de lado”, disse.

“A transição energética é para melhorar o mundo, torna-lo mais justo, mais equitativo. Agora temos que tomar decisões mais focadas para ganhar esta guerra (contra as mudanças climáticas). Nos últimos anos vimos um progresso incrível em termos de tecnologia (em prol da expansão da energia renovável) e temos que acelerar este processo”, afirmou.

Kerry acrescenta que “é o momento para se tomar decisões políticas para um futuro melhor. Anualmente, 7 milhões de pessoas morrem devido às condições ruins do ar que respiramos. Temos que reduzir esta taxa de mortalidade, viver melhor”, atacando as causas desses problemas.

Desde Acordo de Paris, Kerry avalia que “já fizemos progressos. Cada nação definiu seu próprio plano para lidar com as mudanças climáticas. O Acordo Paris permitiu cada uma ter seu plano e efetivar sua luta contra os efeitos climáticos”.

Sobre o Brasil, John Kerry disse que a “chave para Brasil é construir uma bioeconomia porque tem um bem incrível e poderoso, que são as florestas”, mas deve reduzir o desmatamento porque ele ainda é expressivo. Este é um alto risco porque, disse, as florestas pelo mundo perderam capacidade de consumirem CO2, na comparação com períodos anteriores.

Mercado de carbono robusto

John Kerry ainda defendeu “colocar preço no carbono”. Estabelecer um mercado de carbono robusto, para viabilizar a mitigação das emissões, iria gerar “um impacto profundo nesta crise climática e reduzi-la de forma mais rápida. Seríamos capazes de gerar soluções alternativas ao carbono muito mais rápido”, afirmou.

Este tema deverá ser evidenciado na COP30, cúpula da ONU sobre mudanças climáticas, que será realizada ano que vem no Brasil, onde também os participantes terão que abordar iniciativas para que cada segmento da sociedade se adapte às mudanças climáticas, para agir para mitigar seus efeitos, disse o palestrante.

Jonh Kerry também comentou que a eleição do republicano Donald Trump para a presidência dos EUA não deverá comprometer o esforço global contra as mudanças climáticas, já que esta questão já está sendo endereçada pelos diversos países, estando, inclusive, contemplada em legislações.

Para John Kerry, neste esforço, as nações precisam envolver o apoio do setor privado. “Ele é crítico para ganharmos esta batalha. Nenhum governo tem dinheiro suficiente para realizar toda a transição que queremos”, disse. Além disso, se o setor privado não participar deste esforço arcará com custos crescentes. “Se não fizermos agora (a aceleração da transição energética) vai custar mais caro para o setor privado”, ressaltou Kerry, dizendo que há teses de especialistas sobre o tema. Inclusive, acrescentou que investidores e empresas podem ganhar dinheiro com a transição energética.

“Um fundo de pensão pode investir (neste segmento) com bom retorno financeiro”, em vez de deixar seus recursos em uma aplicação financeira tradicional. A produção de minerais críticos e estratégicos para a transição energética também foi apontada como positiva.

Eleição de Trump

Jonh Kerry também comentou que a eleição do republicano Donald Trump para a presidência dos EUA não deverá comprometer o esforço global contra as mudanças climáticas, já que esta questão já está sendo endereçada pelos diversos países, estando, inclusive, contemplada em legislações.

Matérias Relacionadas

Projeto da Vale prevê mais de 2 mil empregos e coloca Parauapebas diante de nova expansão da mineração

Projeto Alemão da Vale prevê mais de 2 mil empregos diretos na implantação de uma unidade de concentrado de cobre em Parauapebas, no Pará

Ferrovias batem recorde em 2025 e minério de ferro responde por 72% das cargas

Em 2025, as ferrovias brasileiras movimentaram 555,48 milhões de toneladas úteis, com o minério de ferro respondendo por cerca de 72% das cargas

Pará: Projeto Luanga prevê mina com capacidade para processar 10 milhões de toneladas de minério por ano

Projeto Luanga, localizado na região de Carajás, no Pará, prevê implantação de mina, unidade de beneficiamento e metalúrgica, com capacidade para processar até 10 milhões de toneladas de minério por ano

Mariana avança na política habitacional com construção de 352 apartamentos pelo Minha Casa, Minha Vida

Município assinou contratos para implantação de moradias populares e investimento de R$ 31,52 milhões em infraestrutura urbana; área também deverá receber novos projetos habitacionais

últimas Matérias

Terras raras no Sul de Minas atraem BNDES e podem movimentar R$ 3,5 bilhões em novo megaprojeto

Projeto Caldeira, entre Poços de Caldas e Caldas, pode ter participação do BNDES e prevê processamento de terras raras no Brasil em meio a acordo de R$ 3,5 bilhões da Lynas

ANM quer dividir fiscalização da mineração com estados e municípios e mira bilhões em royalties

A ANM quer ampliar a fiscalização da mineração com apoio de estados e municípios, monitorar barragens e empreendimentos e reforçar o controle da arrecadação da Cfem

Nióbio pode deixar carros mais leves e seguros e já representa 33% dos negócios da CBMM

O nióbio vem ganhando espaço na indústria automotiva por contribuir para a fabricação de...

Ternium investe R$ 25 bilhões no Brasil e comemora 20 anos na Bolsa de Nova York

Ternium completa 20 anos na Bolsa de Nova York, investe R$ 25 bilhões no Brasil e amplia aportes na Usiminas, no Rio de Janeiro e na formação técnica