Mineradora australiana encontra concentração de terras raras acima das expectativas em Poços de Caldas

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A mineradora australiana Power Minerals identificou uma concentração de 40,5% de óxidos totais de terras raras (TREO) em uma amostra de 1,2 metro retirada do projeto Morro do Ferro, em Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais. O resultado faz parte de uma campanha de sondagens iniciada após a aquisição do empreendimento, em abril de 2026, por R$ 80 milhões.

Os dados divulgados pela companhia indicam a presença de terras raras em diferentes profundidades. No furo de sondagem MFSR-057, foi identificado um intervalo contínuo de 111 metros, a partir da superfície, com teor médio de 8,25% de TREO. Dentro desse trecho, 51 metros apresentaram concentração média de 15,42%, enquanto outros 15 metros registraram 20,42%.

As informações foram divulgadas pela EPTV e pelo g1 Sul de Minas nesta quarta-feira (21/10). Embora os resultados indiquem concentrações elevadas, ainda não representam uma estimativa certificada de recursos ou reservas minerais.

Resultados levam empresa a ampliar pesquisas

A Power Minerals adquiriu o projeto Morro do Ferro em abril e iniciou uma campanha de sondagem para verificar dados obtidos em levantamentos anteriores. Segundo a companhia, os novos resultados apontam mineralização em profundidades superiores às inicialmente investigadas.

O diretor de Novos Negócios da mineradora, Luiz Curado, afirmou que os teores encontrados superaram as expectativas e ampliaram as perspectivas de produção. De acordo com ele, pesquisas anteriores alcançavam profundidades de aproximadamente 70 a 80 metros, enquanto os novos trabalhos identificaram concentrações relevantes em intervalos próximos de 120 metros.

Com os resultados, a empresa planeja ampliar de 4 mil para 8,5 mil metros o programa de sondagens, contratar uma terceira sonda e adotar dois turnos de trabalho. O objetivo é investigar a continuidade da mineralização em profundidade e nas áreas próximas aos pontos já analisados.

Além da concentração total de terras raras, as amostras apresentaram elementos utilizados na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho, como neodímio, praseodímio, térbio e disprósio.

Segundo a companhia, esses elementos atingiram concentração de 7,73%, correspondendo a até 20% do conteúdo total de terras raras identificado nas amostras. Eles são empregados em equipamentos industriais, veículos elétricos, turbinas eólicas e outras tecnologias.

Primeira estimativa de recursos está prevista para 2027

A Power Minerals trabalha com um alvo inicial de exploração de aproximadamente 9 milhões de toneladas, com teor estimado de 8% de terras raras. Esse indicador representa uma projeção preliminar baseada nos dados disponíveis e não deve ser confundido com a quantidade de minério cuja existência e viabilidade de extração já tenham sido comprovadas.

A previsão é divulgar a primeira estimativa de recursos minerais no início de 2027, conforme o código JORC, padrão australiano utilizado na apresentação de informações sobre exploração e reservas minerais.

Para isso, a mineradora ainda precisa concluir as sondagens e avaliar a distribuição dos elementos no depósito. Também serão necessários estudos para determinar quais métodos de processamento poderão recuperar os minerais em escala industrial.

A companhia espera finalizar um estudo de escopo até meados de 2027 e avançar para uma análise de pré-viabilidade até o fim do mesmo ano. Uma eventual decisão de investimento na construção de uma unidade de processamento poderá ocorrer no final de 2028, dependendo dos resultados das pesquisas e das autorizações necessárias.

Projeto ainda depende de licenciamento ambiental

A concentração identificada nas sondagens não garante que a exploração comercial seja economicamente viável. Além da definição dos recursos minerais, o empreendimento depende de avaliações técnicas, estudos de processamento, análise de custos e licenciamento ambiental.

Segundo Luiz Curado, depósitos com teores mais elevados podem permitir a extração de menores volumes de material para a obtenção de determinada quantidade de terras raras. Na avaliação do executivo, isso poderia reduzir a movimentação de minério, o consumo de água e a utilização de equipamentos durante o processamento.

A empresa afirma que estuda uma operação sem barragem de rejeitos e com reutilização de água. As características definitivas do empreendimento, entretanto, dependerão dos resultados dos estudos de metalurgia e processamento mineral.

O projeto Morro do Ferro integra o movimento de empresas estrangeiras interessadas em depósitos brasileiros de terras raras, grupo de 17 elementos químicos utilizados em setores como energia, eletrônica, indústria automotiva e defesa. A exploração comercial na área de Poços de Caldas ainda não tem data definida para começar.

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