Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República para o mandato de 2027 a 2030, ao vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, realizado neste domingo (25). Às 21h09, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o petista somava 51,74% dos votos, contra 48,26% do adversário. Após terminar o primeiro turno atrás do candidato do PL, Lula mudou a estratégia de campanha e apostou na mobilização nas ruas e nas redes sociais para reverter o resultado.
Na primeira etapa da disputa, em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.268 votos, o equivalente a 47,03% dos válidos, enquanto Lula obteve 53.876.617 votos (45,16%). A diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos foi revertida no segundo turno. Lula e o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), da chapa Brasil Pronto Pra Mais, formada por FE Brasil, PSB, Psol-Rede e PDT, têm posse prevista para 5 de janeiro de 2027.
Congresso oposicionista será desafio para o governo
Apesar da vitória nas urnas, Lula terá pela frente um Congresso Nacional de maioria oposicionista, cenário que exigirá articulação política para aprovar projetos e cumprir as principais promessas de campanha.
O PL elegeu 121 deputados federais e 28 senadores, consolidando-se como a maior bancada nas duas Casas. O PT, por sua vez, conquistou 70 cadeiras na Câmara dos Deputados e nove no Senado. A composição do Legislativo deverá impor obstáculos à agenda do governo e ampliar a necessidade de negociações com partidos de diferentes correntes políticas.
Trabalho e renda estão entre as prioridades
Registrado no Tribunal Superior Eleitoral, o plano de governo de Lula tem 84 páginas, divididas em 13 eixos estratégicos, e coloca a soberania nacional entre seus principais pilares.
Na área trabalhista, uma das propostas de maior repercussão é o fim da escala 6×1, acompanhado da redução da jornada semanal para 40 horas, sem diminuição salarial. O programa também prevê a manutenção da política de valorização real do salário mínimo, a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês e a criação de regras de remuneração e proteção previdenciária para trabalhadores de aplicativos.
Segurança pública e combate ao crime organizado
Na segurança pública, Lula propõe a criação do Ministério da Segurança Pública, com a função de coordenar o Sistema Único de Segurança Pública (Susp). O plano prevê ainda o aporte de R$ 10 bilhões do Fundo Nacional de Infraestrutura Social para equipar polícias estaduais e municipais.
Outra frente é o fortalecimento do programa Brasil contra o Crime Organizado, com foco no enfrentamento das organizações criminosas e na asfixia financeira de suas estruturas.
Indústria nacional e tecnologia
O fortalecimento da indústria brasileira também ocupa espaço central no programa de governo. Entre as medidas anunciadas estão a criação de polos industriais voltados ao beneficiamento de terras-raras no país e a implementação do Plano Inova Brasil, que pretende ampliar a capacidade nacional em computação em nuvem, data centers e inteligência artificial.
A agenda inclui ainda a defesa do Pix, a expansão do complexo industrial da saúde e o fortalecimento da base industrial de defesa, com o objetivo de ampliar a autonomia tecnológica e produtiva do país.
Programas sociais, saúde e educação
Nas áreas sociais, de saúde e educação, o plano prevê a ampliação de programas como Bolsa Família, Pé-de-Meia e Minha Casa, Minha Vida.
Na saúde, as propostas incluem a expansão do Farmácia Popular, com oferta de exames laboratoriais gratuitos, e a redução das filas do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio de teleconsultas e ferramentas de inteligência artificial.
Na educação, Lula pretende ampliar a oferta de escolas em tempo integral e fortalecer a rede de institutos federais.
Metas fiscais e transição ecológica
Na economia, o governo pretende manter o arcabouço fiscal e estabelecer uma trajetória de melhora do resultado das contas públicas. A meta apresentada no programa é sair de um déficit equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2026, para um superávit de 1,5% em 2030.
A agenda ambiental prevê desmatamento líquido zero até 2030 e o fortalecimento do Fundo Clima. O Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), por sua vez, deverá priorizar projetos de infraestrutura e iniciativas de neoindustrialização.
O plano também contempla medidas voltadas aos pequenos negócios, como a simplificação da nota fiscal, a ampliação do limite de faturamento anual do microempreendedor individual (MEI), de R$ 81 mil para até R$ 140 mil, a possibilidade de contratação de um segundo funcionário e a oferta de linhas de microcrédito.
A execução dessas propostas dependerá da capacidade do governo de conciliar as metas econômicas, garantir recursos orçamentários e construir apoio no Congresso Nacional. Com uma agenda ampla e um Legislativo de maioria oposicionista, a articulação política será determinante para transformar as promessas de campanha em medidas concretas.


