Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República após uma disputa acirrada no segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Com uma apuração marcada por alternâncias na liderança, o petista garantiu mais quatro anos no Palácio do Planalto e permanecerá à frente do país entre 2027 e 2030.
A nova etapa da trajetória política de Lula amplia um histórico que começou muito antes de sua chegada à Presidência. Nascido em Garanhuns (PE), em 1945, ele se mudou ainda criança para São Paulo, trabalhou como metalúrgico e ganhou projeção nacional ao liderar as greves do ABC no final da década de 1970. Em 1980, participou da fundação do PT.
Depois de comandar o país entre 2003 e 2010, Lula retornou à Presidência em 2023. A nova vitória eleitoral representa seu quarto mandato presidencial, um marco inédito na política brasileira.
Minerais críticos colocam novo governo diante de uma disputa global
A próxima gestão começa justamente quando o setor mineral brasileiro ganha importância nas disputas econômicas e estratégicas entre grandes potências. A relação comercial com a China continua central para o Brasil, especialmente porque o país asiático é o principal destino do minério de ferro brasileiro. Paralelamente, Brasília mantém sua atuação no BRICS enquanto Estados Unidos e países europeus ampliam o interesse por minerais considerados estratégicos para a indústria e a transição energética.
Um dos casos que melhor representa essa mudança está em Minaçu, em Goiás. A Serra Verde é atualmente a única operação comercial de terras raras do Brasil e passou a integrar uma movimentação internacional de grandes proporções.
Em setembro, a americana USA Rare Earth concluiu a aquisição da empresa em uma operação estimada em aproximadamente US$ 2,8 bilhões. Antes da compra, o governo dos Estados Unidos havia anunciado US$ 750 milhões destinados a assegurar a aquisição da produção da mina.
O movimento coloca os recursos minerais brasileiros no centro de uma disputa que vai além da exportação de commodities. Terras raras, por exemplo, são fundamentais para diferentes segmentos industriais e tecnológicos, aumentando o interesse internacional por projetos localizados no Brasil.
Política Nacional de Minerais Críticos terá até R$ 7 bilhões
No mercado doméstico, o governo também avançou na tentativa de aumentar o valor agregado dos recursos extraídos no território nacional. Em setembro, foi sancionada a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que prevê até R$ 7 bilhões em incentivos destinados ao beneficiamento e à transformação mineral no país.
A legislação também criou o CIMCE, Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos. O colegiado está vinculado à Presidência da República e reúne representantes de diferentes setores do governo, além de estados, municípios, iniciativa privada e instituições acadêmicas.
Em outubro, um decreto estabeleceu uma secretaria executiva no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), responsável por apoiar a coordenação da política.
Para o novo mandato, o desafio será transformar esse conjunto de iniciativas em resultados concretos. O Brasil terá de preservar sua parceria econômica com a China e sua participação no BRICS, sem perder espaço diante da crescente aproximação de Estados Unidos e Europa com os minerais estratégicos nacionais.
Mais do que ampliar a extração, a questão central será fazer com que a riqueza mineral avance para as etapas de processamento e industrialização. O resultado dessa estratégia poderá determinar quanto dos investimentos, empregos e oportunidades permanecerá nos municípios responsáveis por produzir os recursos que despertam a atenção das maiores economias do mundo.


