Itabira na vanguarda da mineração
Em junho de 2026, a cidade recebeu a primeira usina de alta tecnologia da Vale, dentro do programa Usina Modelo. A usina de Conceição 2 combina inteligência de dados, Inteligência Artificial e automação para integrar processos e reduzir a exposição de trabalhadores a atividades de risco. Com capacidade de 11,2 milhões de toneladas por ano, a unidade serve de referência para outras operações da companhia.
Na mineração circular, as operações em Itabira produziram em 2025 cerca de 1,5 milhão de toneladas de minério de ferro a partir de fontes circulares.
Segurança hídrica e diversificação
O Projeto Rio Tanque vai garantir segurança hídrica para cerca de 113 mil habitantes. Fruto de um termo de compromisso assinado em 2020 com o Ministério Público de Minas Gerais, a Prefeitura e o SAAE, o projeto prevê investimento de cerca de R$ 1,17 bilhão. As obras começaram em janeiro de 2025 e ultrapassaram 60% de execução em setembro de 2026.
A estrutura inclui uma adutora de 25 quilômetros, três estações elevatórias e uma Estação de Tratamento de Água com capacidade de 600 litros por segundo, acima do consumo atual da cidade, de 400 litros por segundo. Após a conclusão, o sistema será administrado pelo SAAE.
A empresa também apoia o plano estratégico Itabira Sustentável, liderado pela Prefeitura com participação do setor privado e da sociedade civil, voltado à diversificação e ao fortalecimento da economia local.
Educação e cultura
A parceria com a Unifei prevê investimento de R$ 160 milhões em novos prédios e na implantação de um Hub de Inovação e Tecnologia. A Vale também destina cerca de R$ 20 milhões à ampliação do curso de Medicina da Funcesi.
Na cultura, a companhia patrocina a 6ª edição do Festival Literário de Itabira (Flitabira), de 29 de outubro a 1º de novembro de 2026, e atividades do Grupo Galpão, que realizou na cidade, entre julho e setembro, a Jornada de Gestão Cultural e Elaboração de Projetos.
Vale em Itabira
Empregos
Mais de 10 mil postos de trabalho gerados pelas operações (Vale)
Arrecadação anual
Mais de R$ 300 milhões por ano em impostos e tributos (Vale)
Royalties da mineração (CFEM)
R$ 287 milhões arrecadados em Itabira em 2025
Média de R$ 347 milhões por ano entre 2021 e 2025 (ANM)
Investimentos anunciados
R$ 1,17 bilhão – Projeto Rio Tanque
R$ 160 milhões – Unifei e Hub de Inovação
R$ 20 milhões – Medicina da Funcesi
Total: cerca de R$ 1,35 bilhão
Futuro
Minas com vida útil até 2053 (antes, 2041)
Reserva de 1,15 bilhão de toneladas (+52%)
Uma relação de mais de oito décadas
Entre as perguntas enviadas pelo Cidades & Minerais, estava também se a mineradora havia realizado alguma ação ou iniciativa especial para celebrar os 178 anos do município. Em resposta, a Vale destacou o peso de sua presença na economia local e os projetos em andamento na cidade.
Itabira deu origem à Vale e segue central em sua história. Poucas cidades no mundo forneceram tanto minério por tanto tempo, e o ferro extraído daqui ajudou a construir indústrias, cidades e infraestrutura em diversos países. Ao mesmo tempo, Itabira se tornou um laboratório permanente da mineração, onde tecnologias foram desenvolvidas, testadas e adaptadas para depois chegarem a outras operações. Por isso, o futuro do ciclo mineral no município merece ser tratado como referência para projetos de mineração em todo o mundo.
Para a Vale, a operação em Itabira é, sem dúvida, uma história de sucesso. Trata-se de uma produção contínua e estável há décadas, com milhões de toneladas fornecidas ano após ano e profissionais entre os mais qualificados do setor. Para a cidade, porém, essa equação ainda está em aberto. Itabira segue enfrentando desafios sociais e econômicos e ainda não conseguiu transformar plenamente a riqueza mineral em desenvolvimento duradouro.
Não se trata de apontar culpados. O tema é complexo. A CFEM chega ao município com destinação voltada a investimentos, mas cada nova obra ou equipamento gera custos permanentes de manutenção, o que pressiona a estrutura da administração pública ao longo do tempo. Além disso, muitas decisões que afetam diretamente Itabira são tomadas em Brasília, na sede da companhia ou em conselhos de administração, inclusive fora do país, já que o minério daqui tem peso na geopolítica internacional.
A cidade vive agora um momento de transição, marcado pela queda da produção, pelo desafio da representatividade política e pela chegada de um novo modelo de mineração, mais inteligente, mais automatizado, com menor dependência de barragens e que tende a demandar menos mão de obra.
O Cidades & Minerais segue acompanhando de perto, com responsabilidade, este que talvez seja o tema mais complexo e mais importante da nossa cobertura. E segue esperançoso de que a relação entre Itabira e a mineração se torne cada vez mais harmônica, para que a cidade onde tudo começou se consagre, também para os itabiranos, como um case de sucesso.


