Dívida pública bate recorde no governo Lula e já ultrapassa R$ 9,2 trilhões

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O crescimento da dívida pública brasileira tem ampliado as preocupações com a sustentabilidade das contas do país na reta final do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A combinação de juros elevados, aumento das despesas obrigatórias e dificuldades para equilibrar receitas e gastos coloca a trajetória do endividamento entre os principais desafios da política econômica.

Dados do Tesouro Nacional mostram que a Dívida Pública Federal encerrou 2025 em R$ 8,635 trilhões, crescimento nominal de 18% em relação ao final de 2024, quando o estoque era de R$ 7,316 trilhões. Em outubro de 2025, o indicador havia alcançado R$ 8,253 trilhões.

O avanço ocorre em um cenário de pressão sobre as contas públicas e preocupação com a capacidade do governo de estabilizar a dívida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Esse indicador é acompanhado por economistas e investidores por ajudar a avaliar a sustentabilidade fiscal do país.

Um dos fatores que contribuem para o crescimento do endividamento é o elevado custo dos juros. Com parcela expressiva dos títulos públicos vinculada à taxa Selic, a manutenção dos juros em patamares elevados aumenta as despesas financeiras do governo.

Entretanto, o crescimento da dívida também está relacionado à dinâmica das receitas e despesas públicas. Quando o resultado primário não é suficiente para compensar os encargos financeiros, o endividamento tende a aumentar.

Aumento das despesas pressiona orçamento federal

Além dos juros, a expansão dos gastos obrigatórios representa outro desafio para a administração federal. Despesas relacionadas à Previdência Social, saúde, educação e programas sociais comprometem uma parcela significativa do orçamento e reduzem a margem disponível para investimentos e outras políticas públicas.

A política de valorização do salário mínimo, retomada pelo governo Lula com reajustes acima da inflação, também influencia as contas públicas. Isso ocorre porque benefícios previdenciários e assistenciais são vinculados ao piso nacional, provocando aumentos automáticos em determinadas despesas.

A Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado Federal, tem acompanhado os riscos associados ao crescimento das despesas obrigatórias e às dificuldades para o cumprimento das metas fiscais.

O cenário amplia a pressão sobre o arcabouço fiscal aprovado em 2023, que substituiu o antigo teto de gastos e estabeleceu novas regras para controlar o crescimento das despesas públicas.

Apesar da implementação do mecanismo, mudanças nas regras e a exclusão de determinadas despesas do cálculo das metas fiscais têm provocado questionamentos sobre a capacidade do governo de conter o avanço do endividamento.

Governo aponta juros elevados e despesas herdadas

Por outro lado, o Ministério da Fazenda sustenta que o aumento da dívida pública não pode ser atribuído exclusivamente à expansão dos gastos da atual administração.

Entre os fatores mencionados pela equipe econômica estão os pagamentos de precatórios acumulados em anos anteriores, as compensações financeiras aos estados pelas mudanças na cobrança do ICMS sobre combustíveis e outros setores em 2022, além das despesas extraordinárias destinadas ao enfrentamento das enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024.

Integrantes do governo também apontam a taxa básica de juros como um dos principais fatores de pressão sobre o endividamento.

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, tem defendido que o elevado custo do crédito prejudica a atividade econômica, limita o crescimento e amplia as despesas financeiras do setor público.

“Esses juros estratosféricos, que encarecem o crédito e limitam o crescimento, é que fazem crescer dívida pública. Ao sugar recursos do Orçamento, os juros da dívida também comprometem a prestação de serviços públicos, os programas sociais e os investimentos do governo para o desenvolvimento do país”, disse Gleise.

A avaliação do governo contrasta com a preocupação de analistas fiscais, que destacam a necessidade de medidas estruturais para controlar o crescimento das despesas e

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