Quando se fala em mineração, é natural pensar nas grandes empresas que extraem, beneficiam e transportam o minério. Mas, por trás de cada operação, existe uma cadeia muito maior de fornecedores.
São empresas que produzem equipamentos, prestam serviços especializados, fornecem materiais para obras e infraestrutura e desenvolvem soluções específicas para as necessidades das operações.
É nesse espaço que a Madeita, empresa nascida em Itabira, construiu uma trajetória de quase três décadas.
Fundada em 1996 e adquirida pela família Matoso em 2000, a empresa começou com apenas três funcionários e uma área de aproximadamente mil metros quadrados. Hoje, ocupa cerca de 12 mil metros quadrados, mantém uma estrutura mais mecanizada e conta com 42 colaboradores. O crescimento acompanhou uma estratégia clara: especializar-se em madeira e, ao mesmo tempo, ampliar a capacidade de atender diferentes setores.
“O que você imaginar de madeira, nós temos”, resume o diretor Tiago Matoso.
A frase ajuda a explicar a transformação do negócio. A Madeita deixou de atuar apenas no fornecimento convencional de madeira e passou a desenvolver produtos para demandas específicas da indústria.
O portfólio inclui dormentes ferroviários, assoalhos para vagões, pallets industriais, peças personalizadas para equipamentos, materiais para topografia, estruturas para construção civil, esquadrias, decks, painéis, forros e outros produtos.
Na mineração, essa diversificação ganha importância porque as operações dependem de uma infraestrutura complexa. Ferrovias, oficinas, obras civis, instalações industriais, almoxarifados e diferentes estruturas de apoio demandam materiais que precisam atender especificações técnicas. A Madeita atua justamente nesse mercado, inclusive com produtos homologados por grandes mineradoras.
A homologação é um dos elementos que ajudam a diferenciar o fornecedor industrial do comércio convencional. Segundo Matoso, determinados produtos precisam seguir padrões de qualidade e apresentar laudos técnicos emitidos por instituições especializadas. Entre eles estão os dormentes utilizados em operações ferroviárias, que precisam atender requisitos de resistência, durabilidade e segurança.
Do produto à solução
Outro aspecto da estratégia da empresa é a fabricação sob demanda. O cliente pode procurar a Madeita não apenas para comprar um produto disponível no estoque, mas apresentar uma necessidade ou projeto para que a peça seja produzida de acordo com medidas e especificações determinadas.
É uma lógica particularmente importante em setores como mineração e construção pesada, nos quais equipamentos e estruturas frequentemente apresentam características próprias.
“Mesmo estando em Itabira, a gente consegue atender as indústrias mineradoras e qualquer projeto no Brasil inteiro”, afirma o diretor.
A presença da Madeita em diferentes estados mostra como uma empresa localizada em um tradicional território minerador pode participar de uma cadeia que ultrapassa as fronteiras do município.
A empresa já atende clientes no Pará, Maranhão, Rio de Janeiro e outros mercados.
Esse movimento ganha relevância diante do volume de investimentos previsto para a mineração brasileira. O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) estima investimentos de US$ 76,9 bilhões no setor entre 2026 e 2030. Parte desse capital não permanece nas empresas responsáveis pela extração: movimenta uma rede de fornecedores de bens e serviços que participa, direta ou indiretamente, dos projetos. É justamente nessa cadeia que empresas especializadas encontram espaço para crescer.
Madeira com origem
A expansão também ocorre em um setor no qual a origem da matéria-prima é uma questão cada vez mais relevante. A Madeita informa trabalhar com espécies reflorestadas, como pinus e eucalipto, além de madeiras nativas provenientes de áreas autorizadas por planos de manejo florestal sustentável.
A empresa mantém documentação para comprovar a procedência da madeira comercializada. Na prática, isso significa que, além de resistência e adequação técnica, o material precisa chegar ao cliente acompanhado de informações que permitam verificar sua origem.
A trajetória da Madeita ilustra, assim, uma dimensão menos conhecida da mineração: a atividade não se resume à retirada do minério. Ao redor das minas existe uma extensa economia formada por fornecedores especializados, empresas de engenharia, transportadoras, fabricantes de equipamentos e prestadores de serviços.
Em Itabira, onde a mineração ajudou a moldar a economia e a própria identidade do município, a Madeita encontrou uma maneira particular de participar dessa engrenagem. A empresa não extrai minério. Fornece parte da infraestrutura e das soluções que permitem que diferentes segmentos da indústria funcionem.
É um exemplo de como a riqueza gerada pela mineração pode se espalhar por uma cadeia produtiva muito mais ampla — e de como empresas locais podem transformar conhecimento, especialização e capacidade de adaptação em negócios que ultrapassam os limites do território onde nasceram.
Leia a matéria completa: JORNAL Cidades e Minerais SET26 BAIXA


