Um dos empreendimentos mais estratégicos de terras raras em desenvolvimento no Brasil entrou no radar do governo federal e pode ganhar participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O Projeto Caldeira, localizado entre Poços de Caldas e Caldas, no Sul de Minas, é visto como uma oportunidade para ampliar a presença brasileira em uma cadeia considerada essencial para a indústria de alta tecnologia.
O Ministério de Minas e Energia acompanha o avanço do projeto. Segundo o ministro Alexandre Silveira, a estrutura poderá se transformar em uma das maiores unidades de processamento de terras-raras instaladas fora da China.
O interesse do governo não está apenas na extração dos minerais. A estratégia é fazer com que etapas de processamento também ocorram em território brasileiro, aumentando o valor agregado da produção e reduzindo a dependência de exportações de matérias-primas sem beneficiamento.
Terras raras podem colocar Sul de Minas no centro da disputa global
A possibilidade de participação do BNDES ainda está em avaliação. O banco poderá atuar como financiador ou até mesmo como sócio do empreendimento, mas o formato de eventual envolvimento ainda não foi definido.
Enquanto o governo analisa alternativas para apoiar o projeto, o ativo também passou a ser alvo de uma movimentação bilionária no mercado internacional. A australiana Lynas anunciou um acordo para adquirir a Meteoric Resources, empresa responsável pelo Projeto Caldeira, em uma transação avaliada em aproximadamente R$ 3,5 bilhões.
A conclusão do negócio está prevista para março de 2027 e depende do cumprimento das condições estabelecidas no acordo e das aprovações regulatórias necessárias.
A possível mudança de controle reforça o interesse internacional pelas reservas brasileiras de terras-raras. Esses minerais são utilizados em diferentes tecnologias consideradas estratégicas, incluindo componentes eletrônicos, sistemas de energia, veículos eletrificados e equipamentos de alta tecnologia.
Governo quer processamento no Brasil para gerar mais valor
Para o governo federal, um dos pontos mais importantes do Projeto Caldeira é justamente a possibilidade de desenvolver uma cadeia produtiva dentro do país. A intenção é evitar que o Brasil fique restrito à extração e ao envio de minerais para processamento no exterior.
A instalação de estruturas de beneficiamento e processamento pode gerar impactos econômicos adicionais na região, desde a contratação de fornecedores até a criação de empregos especializados e o desenvolvimento de novas competências industriais.
No Sul de Minas, o empreendimento também pode aumentar a atração de investimentos para uma região que já possui histórico ligado à atividade mineral. A expectativa é que o avanço do projeto movimente a economia local e crie novas oportunidades de trabalho e renda.
O desafio, entretanto, será transformar o potencial geológico em uma cadeia industrial competitiva. Caso consiga avançar com a produção e o processamento em território nacional, o Projeto Caldeira poderá colocar Minas Gerais em uma posição ainda mais estratégica na corrida internacional por terras-raras.

