Terras raras no Brasil não terão 100% da produção no país, aponta diretor-geral da ANM

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O diretor-geral da Agência Nacional de Mineração, Mauro Henrique Sousa, afirmou na terça-feira (14) que o Brasil não deve concentrar todas as etapas da cadeia produtiva de terras raras dentro do território nacional. Segundo ele, fatores técnicos, econômicos e estratégicos tornam inviável, neste momento, internalizar completamente processos como beneficiamento e industrialização.

Durante coletiva por videoconferência, Sousa destacou que o país precisa reconhecer suas limitações frente ao cenário internacional. “Pelo menos no meu pensamento, aí é particular mesmo, nós não podemos nos colocar numa posição que tudo vai ser feito no País. Existem inteligências e existem competências instaladas em outros países e que podem ser muito mais interessantes em determinado momento, e nós não podemos dar esse salto de 10, 15 anos, de 30 anos que a China tem em pouco tempo”, disse.

Terras raras no Brasil exigem estratégia diante de avanço internacional

O dirigente da ANM ressaltou que o Brasil deve equilibrar seus interesses nacionais com a dinâmica global do setor. “Nós temos que saber conviver nossa realidade, mas nos projetarmos para alterar essa realidade dentro dos nossos interesses nacionais e se possível também com muitos dos interesses internacionais que estão em jogo. Para sermos um grande ator e com sabedoria manejar bem o nosso comportamento nesse novo ambiente”, afirmou.

Sousa também reforçou que o país segue aberto ao capital estrangeiro e à cooperação internacional. “Nós somos um país que é aberto ao investimento, é um país que tem na sua própria Constituição como sendo de economia de mercado”, declarou.

Nesse contexto, ele defendeu a necessidade de avançar gradualmente na cadeia produtiva mineral. “Então a gente precisa conciliar esse mote da Constituição, do nosso arcabouço jurídico, com essas perspectivas de atração de investimento e garantir que a gente possa realmente dar passos acelerados, digamos assim, para que a gente possa sair do máximo que a gente consegue, do concentrado, para ir para os óxidos, né? E pras ligas. E conseguir produzir de modo interessante”.

Atualmente, o Brasil realiza a extração de urânio em Caetité e produz o concentrado conhecido como yellow cake. Esse material já foi enviado ao Canadá para processamento em hexafluoreto de urânio (UF₆).

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