Brasil é líder em minerais críticos, mas falta investimento e segurança regulatória, afirma diretora do BNDES

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O Brasil está entre os líderes mundiais em reservas de minerais críticos, como lítio, cobre e terras raras, essenciais para a transição energética global. No entanto, segundo Luciana Costa, diretora do BNDES, o país ainda enfrenta desafios significativos para aproveitar plenamente seu potencial mineral, incluindo a falta de financiamento adequado, incentivos fiscais e uma regulamentação mais segura.

Potencial mineral dos minerais críticos e desafios para o setor

Luciana Costa destacou que, apesar de figurar entre os quatro maiores detentores de reservas de minerais críticos, ao lado de países como Austrália, China e Canadá, o Brasil ainda explora pouco seus recursos. As condições econômicas e regulatórias do país precisam ser aprimoradas para tornar o setor mais atrativo ao capital privado e permitir o crescimento sustentável da mineração.

Ela apontou que o alto custo do crédito no Brasil e a ausência de instrumentos financeiros de longo prazo dificultam o financiamento de grandes projetos minerais, especialmente no contexto da demanda crescente por materiais como lítio e cobre.

Para superar esses obstáculos, Luciana defendeu o uso de debêntures incentivadas, uma ferramenta fiscal que oferece isenção de Imposto de Renda aos investidores. Esse instrumento tem se mostrado eficaz em projetos logísticos e energéticos e pode ser fundamental para a expansão do setor mineral.

Ela ressaltou que, com a isenção fiscal, a mineração poderia se tornar mais viável, atraindo investimentos de longo prazo, essenciais para projetos de alto risco e longa duração, como os que envolvem minerais críticos.

Parcerias estratégicas e o futuro da mineração sustentável

O BNDES, em parceria com a Vale, lançou recentemente um fundo dedicado a apoiar empresas emergentes no setor de minerais críticos, com foco em tecnologias limpas e práticas de baixo impacto ambiental.

A iniciativa visa fomentar startups e mineradoras que atuem dentro de um modelo sustentável. Luciana enfatizou que o papel do banco vai além do financiamento: ele deve também induzir políticas públicas e inovadoras que possam tornar o Brasil referência global em mineração sustentável.

Apesar do grande potencial, a diretora do BNDES reconhece que o setor enfrenta sérios desafios, incluindo o licenciamento ambiental lento, a insegurança jurídica e a falta de integração logística, fatores que ainda afastam investidores internacionais. Para Luciana, é fundamental que o Brasil ajuste essas questões regulatórias para destravar o crescimento do setor mineral e garantir que o país se torne um fornecedor estratégico de minerais sustentáveis no mercado global.

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