Pilhas de rejeitos já armazenam 70% dos resíduos da mineração no Brasil

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Desde o rompimento das barragens em Mariana (2015) e Brumadinho (2019), que resultaram em quase 300 mortes e impactos ambientais devastadores, o setor de mineração no Brasil passou por uma transformação importante na forma de lidar com os resíduos da atividade. As pilhas de rejeitos, estruturas semelhantes a grandes montes de terra formados por sobras da produção mineral, têm sido cada vez mais adotadas como alternativa às barragens — especialmente às do tipo montante, que foram oficialmente proibidas no país desde 2019.

Mudança acelerada, mas sem normas federais

Apesar de serem vistas como opção mais segura, as pilhas de rejeito ainda operam em um cenário sem regulamentação federal clara. Segundo especialistas, a ausência de protocolos nacionais de fiscalização coloca em risco a segurança dessas estruturas, que, embora mais estáveis que as barragens com água, ainda exigem controle técnico rigoroso. O governo federal já anunciou a intenção de estabelecer regras específicas até 2026, mas até lá, a fiscalização segue descentralizada.

De acordo com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG), a adoção das pilhas se intensificou após a proibição das barragens a montante, que consistem no empilhamento sucessivo de rejeitos e são mais vulneráveis a falhas estruturais. Dados da Vale mostram que, atualmente, 70% dos rejeitos gerados pela empresa já são armazenados em pilhas secas — um salto significativo em relação aos 40% registrados em 2014.

Vale e Samarco lideram mudança no descarte de rejeitos da mineração

A Samarco, mineradora envolvida na tragédia de Mariana, também alterou seu modelo de descarte. Desde 2020, cerca de 80% dos resíduos gerados pela empresa passam por um processo de filtragem e empilhamento, reduzindo o uso de barragens com água. No entanto, a preocupação com a segurança não desaparece: pilhas mal gerenciadas podem gerar instabilidades, e ainda faltam diretrizes nacionais específicas que regulem a prática.

As pilhas de rejeitos são formadas por materiais que não possuem valor econômico, como terra e areia, que sobram após o processamento do minério. Já as pilhas de estéril, outro tipo de estrutura, concentram os materiais retirados do solo antes da extração mineral propriamente dita. Em comparação, as barragens acumulam rejeitos na forma líquida, criando grandes reservatórios de lama — modelo que tem sido gradualmente abandonado.

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