ANM embarga barragem em Itabirito oito meses após saída do nível de emergência

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Uma barragem da Vale que havia deixado o nível 1 de emergência no início deste ano voltou a entrar no radar da Agência Nacional de Mineração (ANM). A Maravilhas II, localizada na Mina do Pico, em Itabirito, foi embargada pela agência, que determinou a interrupção do depósito de novos rejeitos na estrutura.

A decisão foi publicada no Diário Oficial da União em 28 de agosto e ocorre cerca de oito meses depois de a barragem ter deixado a condição de emergência. Segundo a ANM, o motivo do embargo está relacionado à documentação técnica apresentada pela mineradora, que não refletia adequadamente a situação da estrutura após intervenções realizadas no local.

Barragem da Vale precisa atualizar estudos de segurança

A fiscalização apontou a necessidade de revisar documentos considerados fundamentais para o acompanhamento da estrutura, entre eles o estudo que avalia um possível cenário de ruptura e o Plano de Ação de Emergência para Barragens de Mineração (PAEBM).

A ANM destacou que a decisão não ocorreu em razão da descoberta de uma nova anomalia. Durante uma inspeção presencial realizada em julho, os técnicos não identificaram problemas que apontassem para um comprometimento imediato da segurança da barragem.

Com o embargo, o lançamento de novos rejeitos na Maravilhas II fica proibido até que a documentação seja atualizada e novamente avaliada pelo órgão regulador. Atividades relacionadas à manutenção, segurança e regularização da estrutura continuam permitidas.

A situação também levou a barragem à condição de alerta, classificação que não deve ser confundida com os níveis de emergência. De acordo com as informações divulgadas pela ANM, o alerta, neste caso, está associado à necessidade de regularização documental e não significa, por si só, que exista risco iminente de rompimento.

Vale diz que barragem permanece estável

A Maravilhas II havia deixado o nível 1 de emergência em janeiro de 2026, depois da realização de obras de reforço e da emissão de uma Declaração de Condição de Estabilidade positiva.

Procurada sobre o embargo, a Vale afirmou que a decisão da ANM está relacionada à atualização dos documentos técnicos e não representa uma mudança nas condições de segurança da estrutura.

“A Vale esclarece que não houve qualquer alteração nas condições de segurança da barragem. A medida publicada (28/08/26) pela Agência Nacional de Mineração (ANM) refere-se à atualização documental relacionada à barragem Maravilhas II, na Mina do Pico, em Itabirito (MG), que está sendo revisada também em função das melhorias realizadas na estrutura. Em razão desse cenário, a ANM realizou o embargo da estrutura, ou seja, a ação da Agência não está vinculada à estabilidade da barragem.”

A companhia também informou que a estrutura já estava sem operação por uma decisão relacionada ao planejamento da empresa e que permanece sob acompanhamento contínuo.

“O nível de emergência da estrutura foi encerrado pela ANM em janeiro deste ano, após a emissão de Declaração de Condição de Estabilidade (DCE) positiva e permanece sem nível de emergência. A barragem permanece estável e segue sendo monitorada 24 horas por dia pelos Centros de Monitoramento Geotécnico da Vale”

Para que o embargo seja retirado, a documentação deverá ser atualizada e submetida a uma nova análise da ANM.

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