Após oito décadas de mineração, Itabira projeta saídas para um novo ciclo econômico

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Muito antes do anúncio feito pela Vale sobre o encerramento da extração de minério de ferro em Itabira, previsto para 2031, a cidade já se preocupava em encontrar alternativas para seu futuro econômico. Depois de 80 anos de mineração, as atividades da empresa no município fomentam tanto poder público quanto a inciativa privada, além da geração de emprego e renda.

A arrecadação elevada de Itabira se deve, substancialmente, a impostos recolhidos devido à atividade minerária em seu território. Tributos como Cefem, ICMS, ISS, entre outros, juntos proporcionaram uma receita de cerca de R$ 935 milhões em 2022.

Para se ter uma ideia do peso da mineração em Itabira, a população estimada da cidade é de apenas 121.717 habitantes, segundo o IBGE, mas com um orçamento previsto em R$ 1,056 bilhão para 2024. O número consta no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) apresentado pelo Executivo no último dia 5 de maio, em audiência pública na Câmara de Itabira.

Os números se tornam mais expressivos se comparados aos de outra importante cidade do estado impactada pela mineração: Conselheiro Lafaiete. Esta tem mais de 130 mil habitantes (IBGE/ 2020), porém prevendo um orçamento de cerca de R$ 500 milhões para o ano que vem, também segundo o PL da LDO do município.

Preocupada com a diminuição dos recursos com a saída da mineração, a Prefeitura de Itabira diz ter um plano estratégico para os próximos anos, visando estruturar uma nova realidade econômica. O prefeito Marco Antônio Lage revelou que a própria Vale financia uma consultoria internacional para dar suporte ao município no planejamento da sua transição econômica.

“Esse plano em construção para Itabira é e será uma mensagem estratégica muito importante que a Vale também enviará para a comunidade brasileira e internacional. Ao fim do meu mandato, vamos entregar um planejamento estratégico bem estruturado de 30 anos, o que permitirá sabermos como será Itabira em 2050, completamente sem a mineração”, disse em entrevista à Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais e do Brasil (Amig).

“Além disso, vamos detalhar um plano de metas para 10 anos, pois, a partir daí a arrecadação das receitas municipais advindas da Vale já irão cair para um terço. Talvez esse seja hoje um dos maiores medos que temos. Maior até que o medo das barragens”, complementou o prefeito.

O futuro

Entre as principais expectativas projetadas para a diversificação econômica de Itabira pós-mineração, tanto pelo poder público quanto entidades civis, estão os múltiplos potenciais da cidade.

O prefeito lembra a vocação para a Cultura e o Turismo com sua associação ao poeta Carlos Drummond de Andrade: “A cidade é um forte polo cultural com potencial para ser uma cidade literária. Nenhuma outra é tão fortemente ligada a uma obra como Itabira e Drummond”.

Marco Antônio também destaca o cenário favorável para Itabira se tornar polo educacional, científico e tecnológico. A Prefeitura espera que pelo menos 10 mil alunos sejam recebidos pela Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), com a ampliação do campus em Itabira.

Outro importante fato nesse sentido foi a recente autorização do Ministério da Educação ao curso de Medicina da UniFuncesi. Além disso, a cidade conta com instituições que oferecem inúmeros cursos superiores, técnicos e profissionalizantes, já procurados por moradores de outras cidades da região.

O setor de serviços e o comércio varejista também já têm apelo regional, com as cidades menores do entorno ainda deficitárias para atender várias demandas. Fortalecendo a tendência de transformar Itabira em um polo de varejo, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Itabira promove a 11ª Edição do Prêmio Mérito Lojista Empresarial. Clique e saiba mais.

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