Série Transformação: Como a Avenida Mauro Ribeiro Lage modificou Itabira em duas décadas

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Os esforços da Prefeitura para conseguir viabilizar a obra que promoveria uma grande transformação foram celebrados pelos itabiranos. Com mais de um quilômetro, a nova avenida fazia parte de um antigo plano viário, projetado pelo arquiteto e urbanista Radamés Teixeira. A construção da Avenida Mauro Ribeiro Lage possibilitou a interligação da região central aos bairros Esplanada da Estação, Vila São Joaquim, Areão, Major Lage e Caminho Novo. Também proporcionou um acesso mais fácil e rápido à região dos bairros Água Fresca e Gabiroba.

Antes, a cidade era separada ao meio pela linha férrea da Vale, um obstáculo ao deslocamento tanto de veículos quanto de pedestres. Em horários de pico do trânsito, a região sofria com o tumulto, já que tinha apenas uma rua de mão dupla para suprir uma grande demanda de escoamento. A Rua Prefeito Virgilino Quintão, que abriga atualmente o centro comercial do bairro Caminho Novo, era um exercício de paciência para os motoristas.

Além disso, quem precisasse chegar ao outro lado da linha, a pé, tinha que passar pelo famigerado “túnel do Caminho Novo”. Essa era a única rota pela qual os pedestres realizavam a travessia, por baixo da ferrovia. O local chegou a virar caso de polícia devido à grande quantidade de crimes de diferentes naturezas cometidos por lá e que estampavam manchetes de jornais da época.

A destruição do túnel para dar início à construção da avenida se transformou em um grande acontecimento na cidade, com direito ao então prefeito Ronaldo Magalhães dando as primeiras marretadas, como se estivesse derrubando o muro de Berlim, guardadas as devidas proporções.

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Foto: Reprodução/ Redes Sociais- Travessia no túnel sob a linha férrea era tensa e perigosa para os pedestres

O vice-prefeito à época era o empresário João Izael Querino Coelho. Morador e dono de padaria no Caminho Novo, fez questão de reforçar que a mudança iria garantir facilidade no trânsito e o surgimento de um novo centro comercial, moderno e dinâmico. “O desenvolvimento de Itabira passará por essa região”, previu. E não se enganou.

A Prefeitura não só construiu a nova avenida como promoveu o leilão das áreas remanescentes, fatiadas em 39 lotes, com diferentes metragens. Os valores variaram entre R$ 150 mil e R$ 330 mil. As vendas foram muito bem sucedidas, incrementando com mais recursos o erário municipal.

Segundo foi contabilizado pelo jornal Vale Notícias, a construção da avenida custou R$ 4,4 milhões. O leilão rendeu à Prefeitura R$ 7,4 milhões, o que possibilitou uma sobra de caixa de R$ 3 milhões. “Com esses recursos, a Prefeitura quitou as suas dívidas de curto prazo e João Izael, eleito prefeito durante a construção da avenida, recebeu a Prefeitura sem dívidas, graças a esse saldo adicional”, diz o texto.

Transformação em point imobiliário e comercial

Passada a euforia da inauguração, não demorou muito para que os primeiros prédios começassem a ser construídos na Avenida Mauro Ribeiro Lage, estabelecendo ali um novo marco na construção civil e na especulação imobiliária do município. Os tradicionais conjuntos habitacionais da cidade, com os mesmos estilos arquitetônicos, não inspiraram em nada os edifícios que passaram a dominar a paisagem na avenida.

Ao longo dos primeiros dez anos de existência, o endereço aos poucos passou a ser considerado nobre, com seus grandes prédios residenciais e comerciais. Principalmente depois da construção de sedes de importantes instituições, como o imponente novo prédio do Fórum Desembargador Drummond, uma nova sede do banco Itaú e a o tão sonhado Santuário de São Geraldo Majela. Construído em um terreno de 4 mil metros quadrados, a obra foi desengavetada em 2009. Atualmente, em fase final, o Santuário é uma importante referência para as celebrações católicas do munícipio.

Pouco a pouco, nos últimos 18 anos, a avenida foi passando por diferentes fases e atraindo diversificados pontos comerciais. Hoje, toda a região abriga uma boa quantidade de estabelecimentos ligados à saúde e ao bem-estar, como consultórios e clínicas médicas, odontológicas e estúdios de fisioterapia. Além disso, reúne lojas voltadas para construção e decoração; vendas de veículos; bem como lojas de vestuário; salões de beleza e estética; imobiliárias, entre outros.

Graças à estação ferroviária e a proximidade com a rodoviária da cidade, a região acabou sendo rapidamente associada a seu potencial cultural e gastronômico fomentando também a instalação de hotéis, casas de show, bares, choperias e restaurantes. Já há alguns anos, a Avenida Mauro Ribeiro se tornou o principal endereço das atividades noturnas da cidade.

Estação ferroviária ativa

 A antiga estação itabirana ficava localizada ao lado de onde, atualmente, está localizado o IT Hotel. Foi justamente o seu remanejamento para a construção de uma nova estação que serviu de estopim para a implantação da Avenida Mauro Ribeiro. A inauguração do novo imóvel que a abriga aconteceu em dezembro de 2005, após receber um investimento de R$ 1,5 milhão.

A solenidade também comemorou o centenário da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). “É a estrada de ferro mais produtiva do país e que viabilizou a Vale quando os trilhos chegaram a Itabira”, declarou o gerente-geral de Apoio Técnico da mineradora, João Bosco Dutra Ferreira, durante o evento registrado pelo Vale Notícias.

Na mesma reportagem, o recém-eleito prefeito João Izael aproveitou a oportunidade para destacar aquela que seria sua maior plataforma eleitoral para uma inédita reeleição municipal nas terras drummondianas: o modelo de Parcerias Público-Privadas (PPPs) propostas pelo Governo Federal e aprovadas no Congresso Nacional. “São parcerias que beneficiam a comunidade e também a empresa, que precisa do minério de Itabira”, disse.

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Fotos: Vale Notícias – Estação Ferroviária antes e depois, na época da reinauguração

Estima-se que, em 2005, a estação ferroviária de Itabira recebia, anualmente, cerca de 50 mil passageiros com trens diários, fato aclamado pelo bispo emérito Dom Mário Gurgel, antes de abençoar as novas instalações. “Já viajei de trem pela Vitória a Minas e recomendo. É uma viagem segura, barata e agradável”, disse o carismático religioso, falecido em 2006, aos 84 anos.

A viagem segue sendo uma opção muito buscada pelos itabiranos e turistas com destino à capital capixaba. Ao todo, são 2 mil quilômetros de malha ligando os dois estados e garantindo o transporte de passageiros.

O que dizem os comerciantes sobre a Avenida Mauro Ribeiro

O Grupo Pires tem presença marcante em Itabira desde 1997. Na região, conta com um posto de combustíveis na Avenida Mauro Ribeiro, além de hotel, padaria e posto de combustíveis na Avenida Osório Sampaio, logo no entorno. “A construção da avenida foi a melhor coisa para Itabira. Acredito que a avenida trouxe inúmeros benefícios tanto para nossos negócios quanto para toda a área. Transformou a região em um ponto de referência de evolução comercial para a cidade”, diz o sócio do grupo, Ricardo Pires.

Na Avenida Mauro Ribeiro também está localizado o bar e casa de shows Filé de Gato. Nela, o proprietário, Paulo Oliveira empreendeu também com a barbearia Stillus. “Morei no Major Lage de baixo, então quando criança, usávamos o local como atalho para chegar mais rápido na escola Cornélio Pena. Quando surgiu a ideia promissora de criar a avenida, eu só tinha 15 anos e, se naquela época eu já achava a ideia um sucesso, hoje vejo como uma necessidade. Foi ótimo e necessário. A Avenida Mauro Ribeiro já tem um ar de região comercial, tem bastante espaço para estacionar e fácil acesso, tornando-se assim uma ótima opção para comerciantes”, avalia Oliveira.

No entanto, há quem acredite que o projeto tenha sido equivocado em alguns aspectos. É o caso do empresário Sydney Almeida Lage, proprietário da Aplik Imóveis, imobiliária com 38 anos de atuação em Itabira. “Tem um erro grave nela, que foi ser só de um lado. Uma avenida forte teria que ter os dois lados iguais. Deixaram o lado esquerdo com os moradores antigos. Deveriam ter desapropriado toda a avenida e refeito o projeto. Outra coisa foi a doação de uma área para a igreja. Uma igreja numa avenida comercial não foi uma boa atitude, tirou a possibilidade de desenvolvimento dos dois lados. Mas já foi feita com mal planejamento”, critica.

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Foto: Ronan Fabrício/ ItaDrone – Nova avenida se estabeleceu como um novo polo de comércio e prestação de serviços

Sidney conta que, antes de se instalar na Avenida Mauro Ribeiro, a Aplik havia passado pelos bairro Penha e Pará. A mudança para a nova avenida ocorreu em 2011, porque proprietário viu uma oportunidade de resolver o problema de falta de estacionamento enfrentado nos endereços anteriores. Lá a empresa se instalou em uma rotatória, em local de grande visibilidade, onde passam na porta mais de 5 mil carros por dia, segundo o empresário.

“Mas dá para melhorar as coisas por lá, ainda. Está longe dos bancos, por exemplo. Se eles fossem pra lá, iria ajudar muito a aumentar o comércio, em geral. Acho que ainda há uma estrada a ser percorrida para a avenida se solidificar e se transformar em um local forte. É preciso muitos anos ainda, já que ainda tem muitos lotes vagos e espaços caros, sem utilidade”, opina.

“Grandes empreendimentos de logística urbana precisam de muita coisa para darem certo, pois a meta deveria ser sempre o progresso. Era necessário, por exemplo, à época, ter estabelecido prazos para ocupação dos terrenos, pois foi dinheiro público investido. Porém, apesar de os lotes terem sido vendidos, não houve a reposição pelos proprietários”, finaliza o empresário.

 

Na última reportagem da série Transformação, o CidadesMineradoras.com.br trará informações sobre um novo projeto envolvendo a Vale e o município no remanejamento de linhas férreas que poderão resultar em novos impactos urbanos positivos para Itabira. Não perca!

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