Série Transformação: Itabira deverá passar por mais obras de reestruturação urbana

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Atualmente, Itabira conta com três estradas de ferro que ainda cortam a cidade em diferentes direções: uma que parte com minério da Mina do Cauê; outra da Mina Conceição e a que parte da Estação Ferroviária. Depois da bem-sucedida transformação de uma das linhas em avenida, muitos outros projetos surgiram ao longo dos anos com a mesma intenção.

Em 2014, o vereador Ilton Araújo Magalhães apresentou uma ambiciosa proposta que pretendia retirar toda a linha férrea do perímetro urbano do município e, no lugar construir uma via interligando diversos bairros. Em uma edição de vídeo usando computação gráfica, ele apresentou um esboço de como ficaria a cidade com essa nova geografia, além de listar os benefícios da retirada dos trilhos. Nomeada de Via Expressa, ela seria construída ao longo dos cerca de 15 quilômetros da malha ferroviária que passa pelos bairros Campestre, Vila Amélia, Alto Pereira, São Bento, Praia, Conceição, entre outros.

O projeto previa ainda a criação de praças, pontos de integração de ônibus coletivo, academias ao ar livre e possíveis loteamentos seguindo os mesmos moldes da construção da Avenida Mauro Ribeiro Lage. Porém, a proposta do vereador não saiu do papel e as conversas com a mineradora não evoluíram.

Nova transformação a caminho?

Com a aprovação dos termos aditivos do contrato das Estradas de Ferro Carajás (EFC) e Vitória a Minas (EFVM) pelo Conselho de Administração da Vale, em 2020, o Ministério da Infraestrutura e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) prorrogaram a concessão federal por mais 30 anos. Isso quer dizer que a mineradora vai investir R$ 24,7 bilhões em um pacote de obras e melhorias, além do pagamento pela renovação da outorga das duas ferrovias.

Do valor total, R$ 2,1 bilhões serão usados na Estrada de Ferro Vitória a Minas, o que inclui a malha ferroviária itabirana. Nos planos estão: aumento de 20% do transporte de carga geral para o transporte de minério de ferro; ampliação dos trens de passageiros; e obras de segurança e melhorias da mobilidade urbana nos trechos cortados pela ferrovia.

A previsão é que sejam realizadas 460 obras em 33 municípios de Minas Gerais e do Espirito Santo nos próximos 10 anos. Serão instalados viadutos, passarelas, cancelas automáticas, passagens de nível inferiores e acessos às comunidades. Desse pacote, Itabira deve receber novos viadutos, tuneis e a eliminação de passagens de nível.

Ronaldo Lott era quem ocupava o cargo de secretário de Obras do município em 2020. Naquele ano, ele contou ao Vila de Utopia, site coordenado pelo jornalista Carlos Cruz, que participou das negociações com a Vale para realização de intervenções para reduzir conflitos urbanos provocados pela ferrovia na cidade. Entre as mudanças está a relocação do ramal ferroviário que sai da Estação João Paulo (foto principal), próximo do estádio do Valério Doce, e que segue até o final da Avenida Mauro Ribeiro Lage.

ramais ferroviarios no final da avenida mauro ribeiro
Ramais ferroviários no final da Avenida Mauro Ribeiro devem dar lugar a novos empreendimentos

Conforme relatado, o acordo entre Prefeitura e mineradora prevê que parte desse trecho da ferrovia seja transferido para onde está a Rodovia 105, que mudará para o atual leito da ferrovia que será modificado. Dessa maneira, linha férrea deixaria de cortar os bairros Vila Amélia e Alto Pereira. Para isso, a ferrovia precisará seguir pela mina Periquito até encontrar com o ramal que vem da mina Conceição, em frente ao antigo escritório do Areão. Todas essas mudanças acarretariam na eliminação de três passagens de nível (Vila Paciência/Pará, Vila Amélia e Alto Pereira)”.

Tal negociação ainda prevê a continuidade da avenida Rio Doce, no bairro Amazonas, com a construção de um viaduto sobre a linha férrea. Isso possibilitaria abrir uma nova avenida com 600 metros de extensão e que irá se encontrar com a Avenida Machado de Assis, no bairro Machado, com o início do bairro João XXIII. “A Vale vai fazer só o viaduto. O custo da abertura desse trecho da nova avenida é por conta da Prefeitura”, avisou Lott.

vista parcial dos tres ramais ferroviarios de itabira bairro novo amazonas
Vista parcial dos três ramais ferroviários no bairro Novo Amazonas

E tem mais! O pacote de combinados com a mineradora incluiria um túnel no bairro São Cristóvão, onde já existe uma avenida que termina na ferrovia. “Vai sair na rua Camélia, no bairro Juca Rosa. Essa avenida era outro sonho do professor Radamés Teixeira, arquiteto urbanista que idealizou a Mauro Ribeiro”, contou Ronaldo Lott.

À época do acordo, as propostas foram listadas em um documento protocolado em audiência pública realizada em Belo Horizonte e enviada à ANTT, com a concordância da Vale. Recentemente, o atual prefeito de Itabira, Marco Antônio Lage, voltou a tocar no assunto durante um evento público e a expectativa tomou as redes sociais. Porém, por meio de sua assessoria de imprensa, a Vale informou que a discussão é incipiente e que ainda não existe um cronograma com datas definidas para execução das obras previstas no pacote de contrapartidas.

Clique e relembre a primeira reportagem da Série Transformação.

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