R$ 5 bilhões em incentivos para minerais críticos podem perder força por falhas na legislação, alerta ABPM

Publicado em

Os R$ 5 bilhões previstos pelo governo federal para estimular a industrialização de minerais críticos no Brasil podem não produzir os resultados esperados. O alerta é da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa Mineral e Mineração (ABPM), que aponta problemas na estrutura dos incentivos fiscais e nos prazos estabelecidos pela Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.

A preocupação foi apresentada pelo presidente do Conselho da ABPM, Luís Maurício Azevedo, durante seminário realizado na terça-feira (3), na Câmara dos Deputados, em Brasília. Segundo ele, a legislação representa um avanço para o setor, mas precisa de ajustes para garantir segurança jurídica e condições adequadas à realidade dos empreendimentos minerais.

A Lei 15.506/2026 prevê créditos fiscais de até 20% sobre gastos elegíveis, limitados a R$ 1 bilhão por ano, entre 2030 e 2034. Entretanto, a associação identifica um descompasso entre o período de concessão dos benefícios e o prazo de cinco anos previsto para sua vigência. Na avaliação da entidade, a sobreposição efetiva dos períodos de aproveitamento dos incentivos pode ficar restrita a apenas 1,7 ano.

O cenário preocupa porque projetos minerais exigem planejamento de longo prazo. Da descoberta de um depósito até o início da produção, o desenvolvimento de um empreendimento pode levar aproximadamente 17 anos. Para a ABPM, essa diferença entre os prazos pode comprometer a efetividade dos recursos previstos e precisa ser corrigida pelo Congresso Nacional, não apenas por meio da regulamentação.

ABPM aponta riscos nos incentivos fiscais para minerais críticos

Outro problema levantado pela associação é a falta de estímulos específicos à pesquisa mineral. Essa etapa é responsável por identificar novos depósitos e viabilizar o abastecimento das futuras unidades de beneficiamento e transformação.

Embora a legislação reconheça a pesquisa como parte da cadeia produtiva, a entidade considera que a ausência de mecanismos próprios de incentivo pode limitar o desenvolvimento de novos projetos. A defesa da ABPM é que a política de agregação de valor contemple todas as fases, começando pela pesquisa e avançando até a industrialização.

A associação também ressalta que o beneficiamento precisa considerar as demandas do mercado consumidor.

Entidade propõe mudanças na regulamentação e cobra previsibilidade

A ABPM encaminhou à Casa Civil sugestões para aperfeiçoar a implementação da política mineral. Entre as propostas estão critérios objetivos e progressivos para a concessão dos créditos fiscais, calendário anual de seleção de projetos e contrapartidas proporcionais ao estágio de desenvolvimento de cada empreendimento.

A entidade também defende que o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE) tenha regras claras e prazos definidos para analisar decisões, especialmente em operações de mudança de controle societário e contratos de fornecimento.

Outro ponto envolve o prazo de dez anos previsto para a conclusão da pesquisa mineral. A associação propõe que sejam descontados desse período os atrasos provocados por processos administrativos na Agência Nacional de Mineração (ANM), licenciamento ambiental e dificuldades de acesso às áreas de pesquisa.

Para a ABPM, o potencial mineral do país precisa ser acompanhado de condições regulatórias capazes de atrair investimentos e estimular toda a cadeia produtiva. Sem prazos compatíveis, segurança jurídica e incentivos à pesquisa, os recursos previstos podem não se converter no desenvolvimento industrial esperado.

Matérias Relacionadas

Mineira de Ipatinga é reeleita deputada estadual nos EUA e conquista 3° mandato

Nascida em Ipatinga, Priscila Sousa foi reeleita deputada estadual em Massachusetts e iniciará, em 2027, seu terceiro mandato consecutivo nos Estados Unidos

Mariana relembra 11 anos da tragédia de Fundão neste 5 de novembro

Mariana recebe manifestações, exposições e debates pelos 11 anos do rompimento da barragem de Fundão, com reivindicações por reparação e participação das comunidades atingidas

Vale altera trânsito na MG-462 em Itabira, próximo à Mina Cauê

Vale anunciou alteração na circulação da MG-462, em Itabira, com implantação de rotatória perto da Mina Cauê para organizar o tráfego e reforçar a segurança

Conceição do Mato Dentro lança o “Desenvolve CMD”, programa de crédito subsidiado para impulsionar negócios com juros baixos

Desenvolve CMD foi lançado em Conceição do Mato Dentro com proposta de oferecer crédito subsidiado e juros reduzidos para empreendedores dos setores de turismo e gastronomia

últimas Matérias

MMG ganha novo prazo até dezembro para concluir compra do negócio de níquel da Anglo American no Brasil

A compra do negócio de níquel da Anglo American pela MMG ganhou novo prazo. Comissão Europeia deve concluir análise em 21 de dezembro

Governo realiza 1ª reunião do conselho de minerais críticos nesta quinta (05) para definir lista brasileira

Primeira reunião do CIMCE ocorre em Brasília nesta quinta-feira (5) e deve iniciar a definição da lista brasileira de minerais críticos e das prioridades industriais

Sigma Lithium anuncia aporte de R$ 675 milhões para fortalecer indústria de lítio em Minas

Com emissão de debêntures conversíveis de R$ 675 milhões, a Sigma Lithium reorganiza dívidas até 2031 e reforça sua atuação na indústria de lítio em Minas Gerais

Terras raras de Minas terão destino europeu em acordo que prevê fornecimento até 2034

Acordo entre Viridis e Solvay prevê que 70% da produção de terras raras do Projeto Colossus, em Poços de Caldas, abasteça a indústria europeia até 2034