Prefeito de Itabira terá voto na escolha dos minerais críticos e estratégicos do país

Publicado em

Itabira passou a ter voz direta em uma das decisões mais importantes da nova política mineral brasileira. O prefeito Marco Antônio Lage, que também preside a Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (AMIG Brasil), ocupa o assento dos municípios no Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), com direito a voto. É esse conselho que vai definir quais substâncias o Brasil considera críticas ou estratégicas.

Na quarta-feira (4), o governo federal publicou no Diário Oficial da União o Decreto nº 13.146/2026, que estabelece os critérios para montar e atualizar essa lista. Com as regras definidas, o próximo passo é a escolha das substâncias, e a cidade que deu origem à Vale terá participação nessa escolha.

Uma cadeira entre 18

O CIMCE tem 18 integrantes: 13 representantes de órgãos do Executivo federal, um dos estados e do Distrito Federal, um dos municípios, dois do setor privado e um das instituições de ensino superior. Com exceção dos representantes do governo federal, os demais integrantes e seus suplentes têm mandato de dois anos. O conselho é vinculado à Presidência da República.

A nomeação de Lage ocorreu em 16 de setembro, em Brasília, no mesmo dia em que foi sancionada a Lei nº 15.506, que criou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). Na ocasião, o prefeito afirmou que Itabira carrega uma experiência histórica que deve ser considerada no novo ciclo mineral. A representação dos municípios foi resultado de articulação da AMIG para garantir a presença dos territórios no conselho.

O que o conselho vai decidir

O rol de minerais críticos e estratégicos será aprovado por resolução do CIMCE, a partir de proposta fundamentada do Ministério de Minas e Energia. O decreto publicado nesta semana define como cada substância será avaliada.

Para ser considerado crítico, um mineral precisa ser essencial para setores-chave da economia, ter oferta vulnerável e apresentar risco de escassez. É o caso de substâncias que o país importa ou cuja produção mundial está concentrada em poucos lugares.

Para ser considerado estratégico, o mineral precisa ter reservas relevantes no Brasil e ser essencial para pelo menos uma de quatro finalidades: superávit na balança comercial, desenvolvimento tecnológico, desenvolvimento regional ou redução de emissões de gases de efeito estufa.

Depois do enquadramento, as substâncias poderão ser organizadas em três classes de prioridade. A classe 1 reúne as que exigem atuação prioritária do Estado. A classe 2 reúne as que justificam medidas de fortalecimento de cadeias produtivas. A classe 3 reúne as que demandam monitoramento e reavaliação periódica.

O critério que fala a língua de Itabira

Um dos pontos do decreto conversa diretamente com a realidade de Itabira. Entre as finalidades que podem tornar um mineral estratégico está o desenvolvimento regional. Para avaliá-lo, o governo deve considerar a dependência econômica dos territórios em relação à cadeia mineral e os efeitos dessa atividade sobre emprego, renda, recursos naturais e outras atividades produtivas locais.

A descrição se aplica a municípios minerados como Itabira, que convive há mais de oito décadas com a extração de minério de ferro e debate há anos a diversificação econômica e o futuro pós-mineração.

O decreto também incorpora fatores socioambientais à análise. Entre eles estão a disponibilidade de água, os impactos da produção sobre territórios e comunidades e o aproveitamento de rejeitos e estéreis como fonte secundária. São temas presentes na rotina da cidade.

Minério de ferro na pauta?

A expectativa do setor é saber quais substâncias vão compor a lista. O lítio, ligado à transição energética, aparece como candidato natural. Os critérios de superávit comercial e de desenvolvimento regional também abrem espaço para discutir o enquadramento do minério de ferro como estratégico. O minério de ferro é um dos principais itens da pauta de exportações brasileira e é a base da economia de Itabira e do Quadrilátero Ferrífero.

A entrada na lista tem dois lados. Ela dá acesso aos instrumentos da PNMCE, como o programa federal de beneficiamento e transformação mineral, com créditos fiscais previstos até 2034, e o Fundo Garantidor da Atividade Mineral. Também traz acompanhamento mais próximo da União: operações como mudança de controle societário e cessão de direitos minerários ligados a esses minerais passam a depender de homologação do conselho.

Transparência e revisão

Pelo decreto, a fundamentação de cada inclusão ou exclusão será publicada junto com a resolução do CIMCE. A lista será revisada a cada quatro anos, e o conselho poderá fazer reavaliações extraordinárias. O texto não fixa prazo para a divulgação da primeira lista.

Com uma cadeira e um voto no conselho, Itabira entra nessa discussão representando o conjunto dos municípios minerados do país. Para a cidade, a criação da política é uma oportunidade de transformar a experiência acumulada em décadas de mineração em influência na definição do próximo ciclo mineral brasileiro

Matérias Relacionadas

Minerais ficam de fora da lista do “Imposto do Pecado”

MP 1.399 estabelece alíquota zero do Imposto Seletivo sobre bens minerais extraídos até dezembro de 2027 e prevê definição das regras permanentes para 2028

MMG ganha novo prazo até dezembro para concluir compra do negócio de níquel da Anglo American no Brasil

A compra do negócio de níquel da Anglo American pela MMG ganhou novo prazo. Comissão Europeia deve concluir análise em 21 de dezembro

R$ 5 bilhões em incentivos para minerais críticos podem perder força por falhas na legislação, alerta ABPM

ABPM alerta que falhas nos prazos e na regulamentação dos R$ 5 bilhões em incentivos fiscais podem comprometer projetos de minerais críticos no Brasil

Governo realiza 1ª reunião do conselho de minerais críticos nesta quinta (05) para definir lista brasileira

Primeira reunião do CIMCE ocorre em Brasília nesta quinta-feira (5) e deve iniciar a definição da lista brasileira de minerais críticos e das prioridades industriais

últimas Matérias

Cisam demite 70 funcionários e interrompe produção de aço em Pará de Minas por tempo indeterminado

Companhia Siderúrgica de Pará de Minas suspende fabricação de aço, desliga 70 trabalhadores e aponta dificuldades no fornecimento de gusa como um dos motivos da decisão

Brasil cria novas regras para minerais críticos e coloca municípios mineradores no centro das decisões nacionais

Decreto 13.146 estabelece três classes de prioridade para minerais críticos e estratégicos, enquanto municípios mineradores conquistam representação no conselho nacional que discute a industrialização do setor

Vale pode comprar 100% da produção da mina da Cedro em Mariana

Vale deverá absorver toda a produção da mina da Cedro em Mariana após expansão de R$ 3,5 bilhões, que elevará a capacidade para 10 milhões de toneladas anuais

Governo define critérios para escolher minerais críticos e estratégicos do país

Decreto publicado nesta quarta-feira (4) estabelece como será montada a lista oficial e cria três classes de prioridade. Quais substâncias vão compor o rol, no entanto, ainda não foi definido