Minas Gerais está prestes a ampliar sua participação na cadeia internacional de minerais estratégicos. Um acordo entre a mineradora australiana Viridis Mining and Minerals e o grupo químico belga Solvay prevê o fornecimento de matérias-primas de terras raras extraídas do Projeto Colossus, em Poços de Caldas, no Sul do estado, para atender ao mercado europeu.
O contrato terá validade até 2034 e estabelece que as primeiras entregas ocorram a partir de 2028. Um dos pontos de destaque é o volume negociado, que corresponde a aproximadamente 70% da capacidade de produção prevista de terras raras destinadas à fabricação de ímãs permanentes.
Projeto Colossus em Minas Gerais terá 70% da produção destinada à Europa
Pelo acordo, os materiais produzidos em Poços de Caldas serão enviados à França, onde passarão por etapas de separação e purificação. Esses processos são fundamentais para transformar os elementos extraídos em insumos utilizados por diferentes segmentos industriais.
Os ímãs permanentes fabricados a partir de terras raras são componentes importantes para motores de veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos. Por isso, esses minerais ganharam relevância nas estratégias de países e empresas que buscam garantir o acesso a matérias-primas essenciais para a transição energética e o desenvolvimento tecnológico.
A parceria entre Viridis e Solvay também contempla transferência de tecnologia e suporte técnico para o desenvolvimento do processamento de terras raras em território brasileiro. A iniciativa pode ampliar a participação do país em etapas da cadeia produtiva que vão além da extração mineral.
Investimento de US$ 449 milhões coloca Poços de Caldas no mercado de minerais críticos
O Projeto Colossus tem investimento estimado em US$ 449 milhões e busca atender à demanda crescente por elementos utilizados em setores considerados estratégicos pela indústria global.
A aproximação entre a mineradora australiana e o grupo belga também evidencia o interesse internacional pelo potencial mineral do Sul de Minas. Com o fornecimento previsto até 2034, o empreendimento poderá conectar a produção brasileira a uma cadeia industrial europeia voltada à fabricação de tecnologias de baixo carbono.
O desafio, além de colocar o projeto em operação dentro do cronograma previsto, será ampliar o processamento no Brasil e agregar valor aos recursos minerais produzidos no país.


