Parlamentar ligada à mineração pode ser a primeira mulher a comandar o Senado

Publicado em

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) confirmou na terça-feira (3) que segue na disputa pela presidência do Senado Federal. Se vencer, ela será a primeira mulher a comandar a Casa em mais de dois séculos de história. A eleição está marcada para 1º de fevereiro de 2027, no início da nova legislatura, com voto secreto.

“Eu sempre disse que gostaria de ser a primeira mulher presidente do Senado”, afirmou a senadora em entrevista à GloboNews. Ela também disse que a conquista seria uma forma de deixar um legado para as mulheres.

Disputa

Ex-ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro e eleita em 2022 com mandato até 2031, Tereza Cristina enfrenta dois nomes fortes: o atual presidente, Davi Alcolumbre (União-AP), que tenta a reeleição, e o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN). O PL deve oficializar a candidatura de Marinho nesta quarta-feira (4) e terá a maior bancada do Senado a partir de 2027.

Tereza e Marinho se reuniram na semana passada para discutir uma candidatura única da oposição, mas não chegaram a um acordo. Uma das hipóteses em avaliação é que um deles dispute a presidência em 2027 e o outro receba apoio para o biênio seguinte, a partir de 2029. Enquanto isso, a senadora busca votos entre o Centrão, dissidentes do PL e a bancada feminina, que deve passar de 15 para 18 integrantes no ano que vem.

Atuação na mineração

Embora seja identificada principalmente com o agronegócio, Tereza Cristina tornou-se uma das vozes centrais do Senado em temas da mineração. Desde abril de 2025, ela preside o Grupo de Trabalho sobre Regulamentação da Mineração em Terras Indígenas, criado por Alcolumbre com a missão de elaborar um projeto de lei sobre o tema. A relatoria é do senador Rogério Carvalho (PT-SE). O grupo retomou os trabalhos em março deste ano.

A senadora também teve participação ativa na tramitação do marco legal dos minerais críticos e estratégicos (PL 2.780/2024). Em junho, conduziu na Comissão de Relações Exteriores uma audiência pública sobre o tema, que ela mesma solicitou. Na ocasião, defendeu uma política nacional capaz de transformar o potencial geológico brasileiro em desenvolvimento industrial, tecnologia e emprego qualificado.

Às vésperas da votação em Plenário, Tereza apresentou emendas ao projeto. Uma delas buscava preservar expressamente as atribuições da Agência Nacional de Mineração (ANM) e de outros órgãos reguladores. O texto foi aprovado pelo Senado em setembro, com relatoria de Eduardo Braga (MDB-AM), e já foi sancionado.

A ligação da senadora com o setor mineral também passa pela agenda dos fertilizantes, área estratégica para o agronegócio e dependente de insumos minerais como potássio e fosfato.

O presidente do Senado controla a pauta da Casa e conduz a tramitação de projetos. Estão nessa lista temas sensíveis para o setor, como a regulamentação da mineração em terras indígenas, o licenciamento ambiental e a implementação da política de minerais críticos. Uma eventual vitória de Tereza Cristina colocaria no comando do Senado uma parlamentar que já conduz alguns dos principais debates sobre o futuro da mineração no país.

Matérias Relacionadas

ANM inicia cruzamento de dados da CFEM com notas fiscais eletrônicas

ANM inicia cruzamento de dados da CFEM com notas fiscais eletrônicas para identificar divergências em declarações e recolhimentos desde janeiro de 2025

Jornal Cidades & Minerais de outubro revela histórias bilionárias, avanços da IA e o futuro da mineração em Minas Gerais

Confira os destaques da edição de outubro do Jornal Cidades & Minerais, com reportagens sobre mineração, inteligência artificial, terras raras, investimentos públicos e política nas cidades mineradoras

ANM retira Sistema Pontal do nível de emergência na Mina Cauê após obras de reforço da Vale em Itabira

ANM encerra classificação de emergência do Sistema Pontal, na Mina Cauê, após obras de reforço. Vale mantém intervenções em duas estruturas de Itabira

PF inaugura laboratório que promete rastrear a origem do ouro e apertar o cerco ao garimpo ilegal

Nova unidade da Polícia Federal utiliza análises geoquímicas para identificar a procedência do ouro e fortalecer investigações sobre crimes ambientais e mineração ilegal

últimas Matérias

Itabira cria 2,29 mil empregos na construção civil e se destaca entre cidades mineiras em 2026

Itabira registra 2,29 mil empregos na construção civil em 2026 e aparece entre os destaques de Minas Gerais, segundo levantamento da CBIC

Vale avalia cortar em 5 milhões de toneladas a produção de minério de ferro em 2027 para proteger margens

Vale projeta produzir até 345 milhões de toneladas de minério de ferro em 2026, enquanto enfrenta inflação, restrições em Carajás e planeja ampliar a produção de cobre até 2030

Expominério 2026 é lançada oficialmente e projeta novos negócios para o setor mineral de Mato Grosso

Quarta edição do evento será realizada em novembro, em Cuiabá, com 127 estandes comerciais, congresso técnico, rodadas de negócios e debates sobre sustentabilidade e inovação na mineração

Ibama e Vale Metais Básicos promovem audiência pública sobre o Projeto Alemão em Parauapeba

Saiba como será a participação da população na audiência do Projeto Alemão, que prevê a implantação de uma mina subterrânea de cobre e ouro na região de Carajás