A presença das mulheres na mineração brasileira está crescendo, mas os números mostram que o setor ainda está longe de alcançar equilíbrio entre homens e mulheres. Entre 2023 e 2026, a participação feminina passou de 21% para 25%, avanço que revela uma mudança gradual no perfil da força de trabalho.
Os dados fazem parte do 6º Relatório de Indicadores da Women in Mining Brasil (WIM Brasil), que também mostra uma evolução expressiva na ocupação de espaços ligados à operação. Entre 2024 e 2026, a presença feminina na gestão operacional saltou de 10% para 22%, mais que dobrando em apenas dois anos.
Mulheres ainda encontram barreiras na liderança
Apesar do avanço, a chegada das mulheres aos principais espaços de decisão continua sendo um dos pontos mais desafiadores. Metade dos conselhos de administração das empresas avaliadas pelo levantamento ainda não conta com nenhuma mulher.
O cenário também evidencia dificuldades adicionais para mulheres negras e pessoas com deficiência, grupos que permanecem com participação reduzida em posições de liderança dentro das empresas pesquisadas.
Outro dado chama atenção. Caso o ritmo de crescimento observado entre 2023 e 2026 seja mantido, a igualdade de participação entre homens e mulheres na mineração brasileira só seria alcançada por volta de 2049.
Políticas de diversidade perdem espaço
O levantamento também identificou uma redução na quantidade de empresas com iniciativas estruturadas de equidade. Em 2025, 63% das companhias analisadas declaravam possuir programas formalizados nessa área. Em 2026, o índice caiu para 48%.
A redução ocorre justamente em um momento de avanço da participação feminina em diferentes áreas da mineração. Os dados indicam, portanto, que o aumento da presença das mulheres não acontece no mesmo ritmo da consolidação de políticas internas voltadas à diversidade.
O resultado coloca em evidência um desafio para o setor mineral: ampliar a entrada e a permanência das mulheres não é suficiente. A construção de ambientes mais equilibrados também depende da abertura de oportunidades em posições de liderança e da manutenção de mecanismos formais de equidade.


