A tecnologia está transformando a rotina das operações minerais no Brasil. Caminhões autônomos, sistemas de monitoramento de barragens baseados em inteligência artificial e minas que ultrapassam 2.000 metros de profundidade já fazem parte de uma estrutura cada vez mais conectada e automatizada.
Ao mesmo tempo em que essas soluções podem ampliar a segurança e a eficiência das operações, especialistas apontam que a transformação tecnológica traz uma questão que vai além dos equipamentos: encontrar e preparar profissionais capazes de operar sistemas cada vez mais complexos.
O tema foi discutido durante o Seminário Inovação Aplicada à Mineração, realizado pela Folha na segunda-feira (21). O encontro reuniu especialistas para discutir os avanços tecnológicos e os obstáculos que acompanham a modernização da atividade mineral.
Inteligência artificial muda rotina das operações
Entre as tecnologias utilizadas no setor estão equipamentos autônomos e sistemas capazes de acompanhar estruturas de mineração com auxílio de inteligência artificial. Em operações subterrâneas, a conectividade também ganhou espaço, com centenas de roteadores integrando ambientes localizados a grandes profundidades.
Esse cenário cria uma rede tecnológica que pode contribuir para tornar as atividades mais seguras, mas também exige profissionais preparados para acompanhar equipamentos, sistemas de dados e ferramentas automatizadas.
A formação e a atração de mão de obra especializada aparecem, portanto, como um dos pontos centrais dessa transformação. A mudança não envolve apenas a adoção de novas máquinas, mas também a adaptação das equipes responsáveis por utilizá-las e supervisioná-las.
Quem responde quando a tecnologia falha?
Outro ponto levantado pelos especialistas envolve a responsabilidade diante de eventuais falhas tecnológicas. Com decisões e processos cada vez mais apoiados por sistemas automatizados, surge a necessidade de estabelecer com clareza quem será responsável quando uma ferramenta ou sistema não funcionar como esperado.
A discussão esteve presente na primeira mesa do seminário, intitulada “Vantagens competitivas e desafios”, mediada por André Borges, repórter especial da Folha em Brasília.
O evento teve patrocínio da BHP e apoio institucional de Mining Hub, Belo Sun Mineração e Cedro Mineração. As discussões colocaram em evidência um cenário em que inovação, segurança e qualificação profissional passam a caminhar lado a lado na transformação da mineração brasileira.


