Vale aponta falta de engenheiros como ameaça à expansão do setor mineral

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A mineração brasileira pode ter recursos, investimentos e projetos para crescer, mas enfrenta um obstáculo que não está debaixo da terra. A falta de engenheiros qualificados já preocupa grandes empresas do setor e, segundo o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, tornou-se um dos principais desafios para tirar novos projetos do papel.

A declaração foi feita na sexta-feira (28), durante um painel dedicado à mineração e aos marcos regulatórios. Para o executivo, a escassez desses profissionais chegou a um ponto crítico e representa um dos maiores gargalos para o avanço da atividade mineral no país.

Pimenta classificou a falta de profissionais especializados como o “calcanhar de Aquiles” da mineração e revelou que a própria Vale já precisa buscar apoio fora do Brasil para determinadas demandas de engenharia relacionadas aos projetos desenvolvidos no território nacional.

Falta de engenheiros pode limitar novos projetos de mineração

A dificuldade não está apenas na contratação. Para a Vale, a disponibilidade de profissionais preparados precisa acompanhar o crescimento da carteira de projetos e a crescente complexidade tecnológica das operações minerais.

Segundo Pimenta, uma das áreas que mais necessita de reforço é justamente a engenharia de minas. “A gente precisa de mais engenheiros de minas”, declarou o CEO.

O problema ganha dimensão ainda maior diante das transformações pelas quais passa a mineração. Novos projetos exigem profissionais capazes de trabalhar com automação, processos industriais, segurança, sustentabilidade, geologia, infraestrutura e tecnologias voltadas ao aproveitamento de minerais estratégicos.

Quando essa mão de obra não está disponível em quantidade suficiente, empresas podem recorrer a consultorias e companhias estrangeiras para suprir determinadas necessidades técnicas. Foi justamente esse cenário que Pimenta apontou ao mencionar a contratação de empresas internacionais de engenharia para apoiar projetos da Vale no Brasil.

Vale quer universidades e Sistema S na formação de profissionais

Para tentar mudar esse cenário, o CEO defendeu uma aproximação mais intensa entre empresas, universidades e instituições responsáveis pela formação profissional.

A proposta envolve ampliar iniciativas de capacitação e criar parcerias capazes de aproximar a formação acadêmica das necessidades reais da indústria. Nesse esforço, o Sistema S também foi citado como um possível parceiro para desenvolver mão de obra especializada.

A discussão revela um desafio que pode se tornar decisivo para o futuro da mineração brasileira. O país possui grandes reservas minerais e vem despertando interesse crescente em áreas como terras raras, lítio, níquel e outros minerais considerados estratégicos para a transição energética.

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