ALMG prevê criação do Centro de Inteligência e Tecnologia Avançadas em Terras Raras em Poços de Caldas

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A corrida pelas terras raras ganhou um novo capítulo em Minas Gerais. Durante audiência pública realizada na terça-feira (25), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), pesquisadores, representantes de universidades e autoridades discutiram a criação do Centro de Inteligência e Tecnologia Avançadas em Terras Raras (Citar), em Poços de Caldas, no Sul de Minas.

A proposta pretende colocar a ciência e a tecnologia no centro do desenvolvimento da mineração na região, com foco na redução dos impactos ambientais e no acompanhamento dos empreendimentos que avançam no processo de licenciamento.

O debate foi promovido pela Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da ALMG, com participação das deputadas Bella Gonçalves e Beatriz Cerqueira, ambas do PT. Para Bella, a discussão tem caráter estratégico para o país e remete a momentos históricos em que o Brasil passou a discutir o controle e o aproveitamento de seus recursos naturais.

Terras raras colocam Sul de Minas no radar mundial

De acordo com Rafael Felipe Neves, diretor-geral do IFSULDEMINAS no campus Poços de Caldas, a região vulcânica concentra uma parcela expressiva dos recursos de terras raras existentes no mundo. A estimativa apresentada durante a audiência aponta que cerca de 15% das terras raras do planeta estariam nessa área, que reúne 12 municípios.

O cenário também chama atenção pelo avanço de projetos de mineração. Segundo as informações apresentadas no encontro, dois grandes empreendimentos já estão em estágio avançado de licenciamento, aumentando a pressão por mecanismos capazes de conciliar exploração mineral, desenvolvimento econômico e preservação ambiental.

O ambientalista Daniel Tygel, presidente da Aliança em prol da APA da Pedra Branca, defendeu que a autorização para os projetos seja suspensa até que exista uma estrutura científica, administrativa e legislativa preparada para lidar com os possíveis impactos da atividade.

O representante do Ibama, Júnio Augusto Silva, também ressaltou a importância de acompanhar continuamente os empreendimentos e manter diálogo permanente com as empresas. A avaliação é de que as características específicas de cada projeto precisam ser consideradas durante todas as etapas da exploração.

Citar quer unir ciência, tecnologia e controle ambiental

A criação do Citar surge justamente como uma tentativa de estruturar esse conhecimento na própria região. A proposta prevê uma parceria com a Universidade Federal de Alfenas (Unifal-MG) e deverá estar associada a um projeto de governança territorial elaborado a partir de recomendações do Ibama.

Entre as frentes previstas estão o desenvolvimento de novas técnicas para processamento mineral, capacitação de profissionais e pesquisadores e acompanhamento dos impactos ambientais provocados pelos empreendimentos de terras raras.

Durante a audiência, Rafael Neves alertou ainda para problemas que podem surgir com o avanço da mineração, como retirada de vegetação da Mata Atlântica, geração e acúmulo de resíduos e aumento de ruídos capazes de interferir no comportamento da fauna.

A ideia defendida pelos participantes é que o conhecimento produzido por universidades e instituições tecnológicas seja utilizado para acompanhar a expansão da atividade e encontrar soluções capazes de diminuir seus efeitos sobre o meio ambiente.

Com isso, Poços de Caldas pode assumir uma posição estratégica na discussão sobre minerais críticos no Brasil. Além de explorar o potencial econômico das terras raras, a proposta busca criar uma estrutura permanente para pesquisar, monitorar e desenvolver tecnologias que permitam ao Sul de Minas avançar na mineração sem deixar a proteção ambiental em segundo plano.

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