PF investiga espionagem contra autoridades em nova fase da operação Rejeito, em Minas Gerais

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A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (18), a segunda fase da operação Rejeito/Contrassabotagem, que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de explorar ilegalmente minério de ferro em áreas protegidas de Minas Gerais e de tentar obstruir as investigações por meio de espionagem contra autoridades públicas.

A nova etapa da operação é um desdobramento da operação Rejeito, deflagrada em setembro de 2025, que revelou um esquema bilionário de mineração ilegal, corrupção e lavagem de dinheiro no estado.

Com apoio do Ministério Público Federal (MPF), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a PF cumpriu dois mandados de prisão preventiva e seis mandados de busca e apreensão em Belo Horizonte e Ibirité, na Região Metropolitana da capital. A Justiça também determinou a suspensão das atividades das empresas investigadas.

Segundo a Polícia Federal, as investigações apontam que o grupo teria contratado uma empresa para realizar ações de espionagem contra pessoas consideradas estratégicas para a organização, incluindo autoridades públicas e particulares.

Entre as práticas identificadas estão o monitoramento presencial de indivíduos, uso de dispositivos de rastreamento, registros fotográficos e a obtenção indevida de dados pessoais e sensíveis.

De acordo com a PF, o grupo também teria acessado ilegalmente informações de um juiz federal responsável por processos relacionados a uma das empresas investigadas. Com esses dados, os suspeitos teriam tentado se aproximar de um familiar do magistrado que atua na advocacia, além de buscar contato com outras autoridades públicas para validar fraudes.

As investigações revelaram ainda tentativas de contratação de operações policiais simuladas, conhecidas como blitz falsas, e ofertas para obtenção irregular de informações protegidas por sigilo bancário e telefônico. Há indícios, também, de acesso indevido a sistemas restritos de órgãos de segurança pública.

Os investigados poderão responder pelos crimes de embaraço à investigação de organização criminosa e violação de sigilos bancário e telefônico. Somadas, as penas podem ultrapassar 16 anos de prisão.

Esquema bilionário

Deflagrada em setembro de 2025, a operação Rejeito desmantelou um esquema de exploração mineral ilegal, corrupção e lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 1,5 bilhão.

As investigações indicam que o grupo atuava principalmente em áreas protegidas de Minas Gerais, como a Serra do Curral, causando danos ambientais e patrimoniais estimados em mais de R$ 18 bilhões.

A operação, considerada um desdobramento da operação Poeira Vermelha, de 2020, teve como alvo mais de 60 pessoas físicas e jurídicas, entre empresários, operadores financeiros e agentes públicos.

Na primeira fase, foram cumpridos 22 mandados de prisão preventiva, bloqueados mais de R$ 1 bilhão em bens e valores e suspensas as atividades de 23 empresas.

Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa era dividida em diferentes núcleos. Empresários coordenavam a exploração ilegal e a ocultação dos lucros; operadores financeiros movimentavam recursos por meio de empresas de fachada e pagamento de propinas; servidores públicos e articuladores políticos facilitavam a obtenção de licenças ambientais e minerárias; e o núcleo operacional era responsável pela extração mineral e pelo monitoramento das ações de fiscalização.

Servidores vinculados a órgãos como a Agência Nacional de Mineração (ANM), a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Instituto Estadual de Florestas (IEF) e o Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) também são investigados.

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