Siderurgia e metalurgia de Minas são os setores mais impactados pela taxação de 50% dos EUA, alerta presidente da FIEMG

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A decisão dos Estados Unidos de impor uma taxação de 50% sobre os produtos brasileiros gera grandes preocupações para a indústria de Minas Gerais, especialmente nos setores de siderurgia e metalurgia, que dependem fortemente do mercado norte-americano.

Em entrevista coletiva na última quinta-feira (10), o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG), Flávio Roscoe, pediu urgência nas negociações entre os dois países para evitar que a situação se agrave e que a diplomacia prevaleça sobre as retaliações econômicas.

Impacto no mercado interno com a taxação e risco de inflação

Flávio Roscoe destacou que a taxação de 50% dos Estados Unidos não deve gerar um impacto inflacionário imediato no Brasil, podendo até haver um efeito deflacionário, já que alguns produtos serão absorvidos pelo mercado interno. No entanto, o presidente da FIEMG alertou que a reciprocidade de uma taxação brasileira sobre produtos americanos teria um efeito contrário, gerando inflação no Brasil. A principal preocupação é com os efeitos sobre o setor siderúrgico, que já enfrenta dificuldades devido à superprodução chinesa e à queda de demanda em mercados tradicionais.

Roscoe afirmou que a siderurgia será a indústria mais afetada, pois já enfrenta uma crise internacional relacionada à concorrência com as exportações chinesas. O Brasil, especialmente Minas Gerais, é um grande exportador de produtos siderúrgicos para os Estados Unidos, e a nova tarifa pode dificultar ainda mais a entrada desses produtos no mercado americano, pressionando as empresas do setor.

Relação estratégica entre Brasil e Estados Unidos

Flávio Roscoe também enfatizou que os Estados Unidos são um parceiro estratégico para o Brasil, especialmente para Minas Gerais, que tem os americanos como seu principal mercado para produtos da transformação. Ele ressaltou a importância de se manter uma relação de cooperação e não de confronto. “Se a tarifa de 50% não for revertida, alguns setores da indústria mineira terão sérias dificuldades para se reposicionar em outros mercados, o que pode prejudicar a economia local”, explicou Roscoe.

Em um momento de reorganização geopolítica, com a crescente tensão entre as duas maiores economias do mundo, os EUA e a China, o presidente da FIEMG defendeu uma postura neutra do Brasil em relação aos conflitos internacionais, destacando que uma colaboração mais próxima entre os dois países seria benéfica para ambos. “Do ponto de vista geográfico e econômico, as nossas economias são complementares, e perder essa parceria seria um retrocesso para ambos os lados”, concluiu Roscoe.

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