Vale investe US$ 378 milhões e já eliminou 19 barragens a montante após tragédia de Brumadinho

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A Vale segue avançando no processo de eliminação de estruturas consideradas de maior risco no Brasil. De acordo com dados atualizados do relatório divulgado pela empresa na última sexta-feira (27), a empresa já descaracterizou 19 das 30 barragens a montante existentes desde 2019, como parte de um amplo plano voltado à segurança e à redução de impactos ambientais.

Somente em 2025, foram destinados US$ 378 milhões para essas ações, enquanto a companhia mantém uma provisão superior a US$ 2 bilhões para dar continuidade ao processo nos próximos anos.

Descaracterização avança e muda cenário das barragens no país

A estratégia de descaracterização consiste em eliminar a função original das estruturas, integrando o material ao ambiente de forma controlada, para que deixem de atuar como contenção de rejeitos ou água.

Entre os avanços mais recentes estão as conclusões das intervenções em barragens localizadas em Ouro Preto e Mariana, regiões historicamente ligadas à mineração.

Desde o início do plano, diversas estruturas foram desativadas em sistemas minerários importantes, reduzindo gradualmente o número de barragens desse tipo no país.

Processo reduz riscos, mas exige atenção no curto prazo

Apesar de ser considerado essencial para a segurança a longo prazo, o processo de descaracterização exige cuidados rigorosos durante sua execução. Técnicos apontam que, nas fases iniciais, pode haver aumento temporário de riscos geotécnicos.

Para minimizar possíveis impactos, a empresa adotou medidas preventivas, como evacuação de áreas próximas às estruturas críticas e utilização de equipamentos operados remotamente, reduzindo a exposição de trabalhadores.

Além disso, foram construídas barragens de contenção emergencial em diferentes regiões de Minas Gerais, incluindo sistemas localizados em Itabira, reforçando a segurança durante as intervenções.

Número de barragens em nível de emergência cai significativamente

Outro indicador apresentado pela mineradora mostra avanço na gestão de risco. Em 2020, 35 estruturas estavam classificadas em algum nível de emergência. Ao final de 2025, esse número caiu para nove, todas em níveis considerados menos críticos.

A empresa afirma ter eliminado completamente as barragens classificadas no nível máximo de risco, o que representa uma mudança relevante no cenário de segurança.

Monitoramento com tecnologia e novas exigências regulatórias

Atualmente, todas as barragens da companhia passam por monitoramento contínuo, com uso de tecnologias como sensores, satélites e sistemas baseados em inteligência artificial. As estruturas também são acompanhadas por centros especializados em análise geotécnica.

A legislação brasileira exige ainda auditorias frequentes e a emissão de declarações de estabilidade por especialistas independentes. Em casos de risco, medidas emergenciais podem ser adotadas, incluindo paralisação de atividades e retirada de moradores das áreas próximas.

As mudanças implementadas pela empresa são reflexo direto das lições aprendidas após o Rompimento da barragem de Brumadinho, considerado um dos maiores desastres socioambientais do país.

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