O processo de descaracterização das barragens a montante, responsável pela tragédia em Mariana e Brumadinho, segue em ritmo acelerado no Brasil. Desde a promulgação da lei “Mar de Lama Nunca Mais”, em 2019, as mineradoras têm prazos específicos para eliminar essas estruturas de risco, com alguns deles se estendendo até 2035. De acordo com dados da Agência Nacional de Mineração (ANM), das 54 barragens a montante inicialmente identificadas em Minas Gerais, 21 já foram descaracterizadas, mas 33 ainda aguardam o fim do processo.
Vale elimina mais da metade das barragens a montante
A Vale, maior mineradora do país, tem um papel central nesse processo de descaracterização. A empresa foi responsável por 30 das barragens a montante que precisavam ser eliminadas no Brasil. Desde 2019, a Vale já eliminou 17 dessas estruturas — 14 em Minas Gerais e 3 no Pará.
Com esse avanço, a empresa já reduziu em 57% o número de barragens a montante que operavam no país, restando ainda 13 a serem eliminadas até o cumprimento total das exigências legais.
Investimentos da Itaminas para garantir mais segurança
Por outro lado, a Itaminas, outra importante mineradora, também tem dado passos significativos para garantir maior segurança e sustentabilidade nas suas operações. A empresa investiu quase R$ 500 milhões na implementação de tecnologias de filtragem de rejeitos, adquirindo quatro grandes filtros que permitem retirar água dos rejeitos de minério. Essa tecnologia possibilita o empilhamento a seco, um método que dispensa o uso de barragens tradicionais e reduz consideravelmente os riscos ambientais.
Os filtros adquiridos pela Itaminas são considerados um dos maiores da América Latina, com capacidade de filtrar até 10 mil toneladas de rejeitos por dia. A transição para técnicas mais seguras, como o empilhamento a seco, é vista como uma das soluções mais eficazes para evitar acidentes e preservar o meio ambiente.
Com o avanço das mineradoras, a expectativa é que o Brasil, até 2035, elimine a maior parte das barragens a montante, um passo fundamental para reduzir os riscos de novos desastres ambientais. O desafio continua grande, mas os investimentos em novas tecnologias e a pressão da legislação têm levado as empresas a repensar suas práticas e garantir mais segurança nas operações de mineração.


