A indústria siderúrgica de Mato Grosso do Sul enfrenta mais um sinal de alerta. A Vetorial Siderurgia S.A. comunicou ao Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Siderúrgicas de Corumbá (STISC) que pretende encerrar a produção industrial de sua unidade em Ribas do Rio Pardo no dia 11 de dezembro de 2026. A decisão poderá resultar no desligamento de funcionários e já provocou uma mobilização da prefeitura para tentar evitar a paralisação.
A comunicação foi oficializada em documento datado de 4 de novembro, assinado pela Diretoria de Recursos Humanos e pelo Departamento Jurídico da companhia. No ofício encaminhado ao sindicato, a empresa solicita a participação da entidade antes da efetivação de possíveis demissões.
O principal problema apontado pela siderúrgica está na dificuldade de conseguir carvão vegetal, insumo essencial para alimentar os fornos e manter a fabricação de aço. A disputa pelo fornecimento de madeira de eucalipto, impulsionada pela demanda de indústrias de celulose e de etanol de milho, teria reduzido a oferta de matéria-prima e comprometido os custos da operação.
Segundo a Vetorial, a dificuldade de abastecimento persiste há aproximadamente um ano. Nesse intervalo, a companhia buscou alternativas para manter a produção, incluindo a possibilidade de recorrer a matérias-primas importadas. Entretanto, não conseguiu garantir um fornecimento contínuo em condições economicamente viáveis.
A empresa também relacionou o possível encerramento das atividades às dificuldades econômicas nacionais, aos custos operacionais e logísticos e à perda de competitividade da indústria brasileira, além da retração de segmentos ligados às cadeias siderúrgica e mineral.
Falta de carvão vegetal coloca Vetorial Siderurgia diante de possível paralisação
A dependência do carvão vegetal tornou-se o principal obstáculo para a continuidade da operação em Ribas do Rio Pardo. O insumo é utilizado no processo de fabricação do aço e sua disponibilidade interfere diretamente na capacidade de funcionamento da unidade.
A concorrência pelo eucalipto com outros segmentos industriais agravou o cenário. Com a expansão de atividades ligadas à celulose e ao etanol de milho, a disputa pela madeira ganhou importância na região, pressionando o abastecimento necessário à siderurgia.
A tentativa de encontrar fornecedores alternativos, inclusive no mercado internacional, não apresentou até o momento uma solução considerada sustentável pela companhia. Diante desse quadro, a Vetorial comunicou ao sindicato a intenção de interromper a produção em dezembro.
A possível paralisação também evidencia como a disponibilidade de insumos e a concorrência entre diferentes cadeias industriais podem influenciar a permanência de empreendimentos siderúrgicos em regiões com forte atividade florestal e mineral.
Prefeitura articula reunião para tentar salvar operação e empregos
A perspectiva de encerramento da produção mobilizou a administração municipal. O prefeito de Ribas do Rio Pardo, Roberson Luiz Moureira, demonstrou preocupação com os reflexos da decisão sobre as famílias que dependem direta ou indiretamente da siderúrgica.
Assim que recebeu a comunicação da empresa, o prefeito iniciou articulações com o presidente do Grupo Vetorial, o secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Artur Henrique Leite Falcette, e o deputado estadual Paulo Corrêa.
A prefeitura solicitou uma reunião com representantes da companhia para a próxima semana. A proposta é reunir a empresa, o Governo de Mato Grosso do Sul, a administração municipal e integrantes da cadeia produtiva, incluindo a Reflore, entidade ligada ao setor florestal.
A preocupação envolve um efeito econômico que pode ultrapassar os limites da fábrica. Além dos funcionários da siderúrgica, a operação movimenta transportadores, fornecedores de insumos, prestadores de serviços e estabelecimentos comerciais que dependem da circulação de recursos gerada pela atividade industrial.


