A Usiminas encerrou o terceiro trimestre de 2026 com resultados pressionados pelo desempenho da mineração, apesar do avanço nas vendas de aço. O EBITDA Ajustado Consolidado da companhia ficou em R$ 558 milhões, uma redução de 27% em relação ao segundo trimestre. Na comparação com o mesmo período de 2025, porém, houve crescimento de 29%.
A receita líquida consolidada alcançou R$ 6,2 bilhões, com alta de 1% frente ao trimestre anterior e queda de 6% na comparação anual. Já a margem EBITDA ajustada foi de 9%, abaixo dos 12,4% registrados no segundo trimestre, mas acima dos 6,6% do terceiro trimestre do ano passado.
O lucro líquido somou R$ 243 milhões, recuo de 43% em relação ao trimestre anterior. Apesar da redução, o resultado representa uma recuperação expressiva diante do prejuízo líquido de R$ 3,5 bilhões registrado no terceiro trimestre de 2025.
Usiminas acumula EBITDA de R$ 1,97 bilhão em 2026
Nos primeiros nove meses deste ano, a Usiminas acumulou EBITDA Ajustado de R$ 1,97 bilhão, crescimento de 25% sobre o mesmo intervalo de 2025.
O desempenho trimestral teve comportamentos distintos entre as áreas de atuação da companhia. Na Siderurgia, as vendas chegaram a 1,034 milhão de toneladas, avanço de 5% sobre o trimestre anterior. A expansão foi impulsionada principalmente pela demanda dos setores automotivo e de distribuição.
Na Mineração, por outro lado, o volume comercializado caiu 18%, totalizando 2,014 milhões de toneladas. A área enfrentou uma combinação de fatores desfavoráveis, como redução dos preços internacionais do minério de ferro e aumento dos custos logísticos, especialmente com fretes marítimos.
Para o presidente da Usiminas, Marcelo Chara, os números demonstram a capacidade da companhia de manter resultados positivos mesmo diante das dificuldades enfrentadas pela indústria do aço. O executivo, no entanto, avalia que os próximos meses ainda exigirão cautela.
“A persistência das tensões geopolíticas mundiais, associada à volatilidade dos mercados e aos elevados custos energéticos, continua pressionando a atividade econômica e a inflação, criando um ambiente menos favorável à estabilização da economia global e brasileira”, afirma.
Importações de aço continuam pressionando a indústria nacional
Outro fator de preocupação para a Usiminas é a entrada de produtos importados no mercado brasileiro. Segundo o Instituto Aço Brasil, as importações de aço representaram 19% do mercado nos nove primeiros meses de 2026.
Chara reconhece que as medidas de defesa comercial adotadas pelo Governo Federal contribuíram para diminuir a pressão das importações ao longo do ano, mas defende a continuidade dessas iniciativas.
“As medidas de defesa comercial elaboradas a partir das análises das equipes técnicas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e adotadas pelo Governo Federal ao longo de 2026, contribuíram para reduzir a importação do aço no acumulado do ano. Precisamos continuar avançando nessa agenda”, afirma.
A concorrência também envolve produtos manufaturados que chegam ao país com grande quantidade de aço incorporada. De acordo com a Anfavea, o Brasil importou 255 mil veículos até setembro de 2026, mais que o dobro do volume registrado no mesmo período de 2025.
O Instituto Aço Brasil estima que as importações diretas e indiretas de aço alcancem 12 milhões de toneladas em 2026, o equivalente a aproximadamente 47% do consumo aparente brasileiro.
Para o próximo trimestre, a expectativa da Usiminas é manter estáveis os despachos de aço. A companhia considera que o aumento das exportações deverá compensar a redução sazonal da demanda interna. Mesmo assim, prevê pressão sobre as margens devido à elevação dos custos de matérias-primas, insumos e energia.
Na mineração, a perspectiva é de redução dos volumes comercializados, diante das condições atuais dos preços do minério e dos custos de transporte marítimo. A estratégia, segundo a empresa, será preservar reservas minerais, manter a disciplina financeira e buscar redução de custos.
Apesar dos desafios, Chara reafirma o compromisso da companhia com a indústria nacional e com as regiões onde mantém operações. O executivo também destaca a importância da segurança, do desempenho ambiental e do trabalho dos colaboradores para sustentar as atividades da empresa.


