Itabira pode conquistar, pela primeira vez, uma representante direta na disputa por uma das cadeiras de Minas Gerais no Senado Federal. A primeira-dama do município, Raquell Guimarães (Rede), foi confirmada como primeira suplente da deputada Áurea Carolina (Psol), que deverá disputar uma vaga ao Senado nas eleições de 2026.
Para uma cidade que historicamente enfrenta dificuldade em eleger representantes próprios em Belo Horizonte e em Brasília, a indicação tem significado relevante. Mesmo na condição de suplente, e ainda como pré-candidata à suplência, a possibilidade de uma itabirana ocupar uma cadeira no Senado é vista como um avanço expressivo para a representatividade política do município.
A definição ocorreu durante reunião da direção nacional da Federação Psol-Rede, na noite de terça-feira (11). A informação foi divulgada pelo site O Fator, de Belo Horizonte.
Raquell Guimarães leva trajetória social para a política
Estilista, empresária e ativista social, Raquell Guimarães construiu sua atuação pública principalmente a partir de projetos ligados à inclusão, sustentabilidade e geração de oportunidades para pessoas privadas de liberdade.
Ela é responsável pela criação da marca Doiselles, iniciativa que mantém há quase 20 anos oficinas de produção dentro de unidades prisionais. O projeto utiliza a moda sustentável como ferramenta de capacitação profissional e busca contribuir para a ressocialização dos participantes.
Além da atuação empresarial e social, Raquell participa de discussões relacionadas ao desenvolvimento sustentável, à igualdade de gênero e à busca por alternativas econômicas para Itabira, especialmente diante dos desafios enfrentados pelo município em relação à diversificação de sua economia.
Uma cidade com histórico de dificuldade na representação política
A conquista ganha relevância adicional quando observado o histórico político de Itabira. Apesar de sua importância econômica para Minas Gerais, o município enfrenta dificuldade recorrente em eleger nomes locais para a Assembleia Legislativa e para a Câmara dos Deputados. A pulverização do eleitorado entre diversos candidatos, somada à ausência de uma tradição consolidada de lideranças próprias, historicamente enfraquece a representação itabirana nas urnas.
Na década de 1980, o ex-prefeito Jairo Magalhães Alves, do PMDB, foi eleito deputado estadual por dois mandatos consecutivos, entre 1983 e 1991. Em 1998, a cidade viveu um episódio raro, conseguindo eleger simultaneamente um deputado estadual e um federal: Luiz Menezes, então pelo PPS, assumiu a Assembleia entre 1999 e 2003, enquanto Li Guerra, pelo PDT, ocupou uma cadeira na Câmara dos Deputados no mesmo período.
Já entre 2007 e 2010, Ronaldo Magalhães, do PV, exerceu mandato de deputado estadual como suplente de Dilzon Melo, sem ter sido eleito diretamente nas urnas. Depois disso, Itabira acumulou uma sequência de tentativas sem sucesso. Em 2018, Bernardo Mucida, do PSB, alcançou a primeira suplência da coligação e chegou a assumir o mandato de deputado estadual em 2021, mas não repetiu o resultado no pleito seguinte. Em 2022, tanto ele quanto João Izael ficaram fora da Assembleia por margem estreita de votos, assim como Neidson Freitas e Weverton Vetão na disputa por uma vaga na Câmara Federal.
Diante dessa trajetória, a indicação de Raquell Guimarães como primeira suplente na chapa de Áurea Carolina ao Senado é considerada, por parte do cenário político local, uma oportunidade pouco recorrente de o município voltar a ter representação em Brasília, desta vez em um posto de maior expressão institucional.
Reconhecimento e atuação em Itabira
Casada com o prefeito de Itabira, Marco Antônio Lage, Raquell também passou a ocupar espaço na vida pública do município como primeira-dama.
Sua trajetória recebeu reconhecimento institucional em setembro de 2025, quando foi homenageada com a Medalha da Ordem do Mérito Legislativo de Minas Gerais.
Agora, como primeira suplente de Áurea Carolina, Raquell passa a integrar uma chapa que pretende disputar uma das duas vagas ao Senado que estarão em jogo por Minas Gerais nas eleições de 2026. A composição ainda deverá passar pelas etapas formais do calendário eleitoral até a definição definitiva das candidaturas.


