A cidade de Itabira, berço histórico da Vale em Minas Gerais, passa a ocupar posição de destaque na transformação tecnológica da mineração brasileira. A companhia colocou em operação uma unidade industrial modernizada que incorpora recursos avançados de automação, monitoramento digital e inteligência artificial, consolidando um novo conceito de beneficiamento mineral voltado para maior desempenho, segurança operacional e sustentabilidade.
O projeto foi implementado na planta Conceição 2, que recebeu uma ampla atualização tecnológica ao longo de aproximadamente um ano e meio. A estrutura agora tem capacidade para processar até 11,2 milhões de toneladas de minério por ano e servirá de referência para futuras modernizações em outras unidades da empresa.
Segundo Carlos Medeiros, vice-presidente de Operações da Vale, a iniciativa representa uma mudança significativa na forma de conduzir as atividades industriais.
“A usina modelo é mais do que um projeto: representa uma nova forma de operar, baseada na aplicação de tecnologias avançadas que redefinem os padrões de eficiência, sustentabilidade e competitividade da mineração. Essa iniciativa posiciona a Vale na vanguarda do que há de mais moderno e inovador em usinas de beneficiamento de minério de ferro no mundo. O programa Usina Modelo integra tecnologias e uma governança robusta de processos, criando um ambiente mais seguro, previsível e eficiente, com pessoas altamente capacitadas“.
Inteligência Artificial transforma a operação da mineração
A modernização envolveu a implantação de dezenas de soluções voltadas à otimização dos processos industriais. O complexo recebeu mais de uma centena de câmeras para acompanhamento em tempo real das atividades, milhares de instrumentos automatizados e sensores inteligentes responsáveis pela coleta contínua de informações operacionais.
A tecnologia permite monitorar centenas de parâmetros simultaneamente e realizar ajustes automáticos conforme as características do minério processado. Com isso, a planta consegue antecipar desvios, minimizar falhas e reduzir interrupções inesperadas na produção.
“A modernização da nova planta permite uma operação mais integrada, altamente monitorada e mais segura. O sistema conta com uma camada de inteligência artificial que supervisiona centenas de variáveis e realiza ajustes no processo produtivo em tempo real, conforme as características do minério e do produto”, completa Medeiros.
Os resultados já aparecem nos indicadores da unidade. Durante a fase piloto, a produtividade registrou crescimento de 25%, permitindo que a planta alcançasse sua capacidade máxima planejada. Além disso, houve aumento na produção de pellet feed destinado à redução direta, matéria-prima considerada estratégica para a redução das emissões de carbono na indústria siderúrgica.
Outro avanço relevante foi a diminuição do teor de ferro descartado nos rejeitos, resultado obtido por meio de sistemas de análise instantânea que permitem correções imediatas no circuito de processamento mineral.
Capacitação e tecnologia preparam profissionais para o futuro
A transformação não ficou restrita aos equipamentos. A Vale também investiu fortemente na qualificação das equipes que atuam na operação. Ao todo, 122 profissionais participaram do processo de adaptação ao novo modelo, acumulando mais de 2.800 horas de treinamento.
As capacitações incluíram ferramentas digitais, simuladores e experiências imersivas com realidade virtual, ampliando a capacidade dos trabalhadores de interpretar dados e tomar decisões em ambientes cada vez mais conectados.
Outro destaque da nova estrutura é o aproveitamento hídrico. Atualmente, a unidade reutiliza cerca de 92% da água empregada no processo industrial, contribuindo para a redução do consumo de recursos naturais.
Para Rafael Bittar, vice-presidente Técnico da Vale, o projeto representa um marco na evolução tecnológica da companhia.
“A usina alcançou um novo patamar de maturidade digital, com 100% das decisões operacionais críticas suportadas por sistemas especialistas. Esse avanço combina inovação, tecnologia e conhecimento técnico para ampliar a eficiência, reduzir impactos e aumentar a previsibilidade, com foco nas pessoas”.
A iniciativa também conta com a participação da ABB, parceira responsável pela integração tecnológica da operação. A expectativa da Vale é utilizar a experiência obtida em Itabira para acelerar a implementação do modelo em outras instalações, fortalecendo uma estratégia baseada em automação, sustentabilidade e competitividade para as próximas décadas.























