A busca por minerais críticos no Brasil acelerou de forma expressiva ao longo do último ano. Dados da Agência Nacional de Mineração mostram que o número de requerimentos ligados a esses insumos estratégicos cresceu 81% entre o primeiro e o quarto trimestre, refletindo o avanço do interesse do mercado por recursos considerados essenciais para a transição energética e novas tecnologias.
A movimentação foi revelada em reportagem publicada pela Folha de S.Paulo no dia 25 de fevereiro e reforça o cenário de intensificação da disputa por ativos minerais no país.
Demanda crescente e pressão sobre a ANM
Nos três primeiros meses de 2025, a agência recebeu 1.637 pedidos de autorização para pesquisa mineral. Já no último trimestre do ano, entre outubro e dezembro, esse volume praticamente dobrou, chegando a 2.960 solicitações. No acumulado anual, foram protocolados 9.319 requerimentos.
O relatório mais recente da ANM aponta que esse salto está diretamente ligado ao aumento do interesse global por minerais estratégicos, como as terras raras, fundamentais para a fabricação de baterias, turbinas e equipamentos eletrônicos. O ritmo acelerado das solicitações acabou levando a estrutura operacional da agência ao limite, diante da necessidade de analisar e processar um volume cada vez maior de processos.
Brasil tem reservas de minerais críticos, mas produção ainda é limitada
Embora o Brasil detenha fatias relevantes das reservas mundiais de diversos minerais críticos, sua participação na produção global ainda é considerada modesta. O contraste entre potencial geológico e desempenho produtivo evidencia desafios relacionados a investimentos, infraestrutura, tecnologia e segurança regulatória.
Especialistas avaliam que, se conseguir transformar seu potencial em produção efetiva, o país pode assumir papel estratégico no fornecimento global desses insumos, especialmente em um cenário de crescente disputa internacional por cadeias de suprimento mais seguras e diversificadas.


