Em uma intervenção decisiva durante o debate do Plano Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, realizado na Câmara dos Deputados em 14 de outubro, o presidente do IBRAM (Instituto Brasileiro de Mineração), Raul Julgmann, fez alertas fundamentais sobre o território mineral no Brasil. Ele ressaltou a necessidade urgente de mapeamento geológico completo do território nacional e a modernização da regulação do setor para garantir que o país se posicione como líder global na exploração mineral estratégica.
O Brasil possui grande potencial, mas o mapeamento geológico é deficiente
Raul Julgmann iniciou sua fala destacando que o Brasil é uma “anomalia geológica”, com uma enorme diversidade mineral. Ele mencionou que o país produz 91 substâncias minerais, sendo um dos maiores produtores do mundo, mas enfrentando um grande desafio: apenas 27% do território mineral brasileiro foi mapeado nos últimos 50 anos. Para Julgmann, isso é um problema de segurança nacional, uma vez que a falta de mapeamento completo impede o uso pleno dos recursos naturais do Brasil.
Ele destacou que, enquanto o Brasil possui um vasto potencial mineral, países como Canadá e Austrália já mapearam até 90% de seu território mineral e estão à frente na exploração estratégica. Para Julgmann, a falta de dados geológicos mais precisos dificulta o desenvolvimento de novos projetos minerários e limita o potencial de crescimento do setor.
A modernização regulatória pode ajudar território mineral
Outro ponto crucial que Julgmann abordou foi a questão da regulação do setor mineral brasileiro. Ele afirmou que, no Brasil, os investimentos na mineração demoram entre 5 a 8 anos para se concretizar, o que acaba desestimulando investidores. Esse longo ciclo de espera, aliado à instabilidade regulatória, faz com que os investidores busquem países com sistemas regulatórios mais ágeis e previsíveis.
“Essa demora no processo destrói o capital. O investidor, ao ver que não tem previsibilidade e enfrenta uma regulação demorada, acaba procurando outros lugares para investir”, declarou Julgmann. Para ele, modernizar a regulação do setor é essencial para atrair investimentos e garantir que o Brasil tenha um ambiente mais competitivo para os negócios, em sintonia com as demandas globais.
O presidente do IBRAM reforçou que a modernização regulatória não é uma opção, mas uma necessidade, especialmente para manter o Brasil competitivo em um mercado global cada vez mais dinâmico. O país não pode perder terreno para outros países que já possuem estruturas regulatórias mais eficientes. “O Brasil precisa enfrentar esses desafios se quiser se manter relevante no cenário global de mineração”, concluiu Julgmann.


