Ibram recorre ao STF contra pagamento de R$ 133 milhões mensais da Vale por Brumadinho

Publicado em

O Instituto Brasileiro de Mineração ingressou no Supremo Tribunal Federal com uma ação que questiona decisões da Justiça de Minas Gerais que obrigam a Vale a retomar pagamentos mensais de R$ 133 milhões às vítimas do rompimento da barragem em Brumadinho. O caso está sob relatoria do ministro Gilmar Mendes.

A medida reacende o debate jurídico sobre os limites do acordo firmado após o desastre e sobre a continuidade das compensações financeiras às comunidades atingidas.

Disputa gira em torno de acordo firmado em 2021 com vítimas de Brumadinho

Na ação, o Ibram sustenta que todas as obrigações previstas no acordo firmado em 2021 já foram cumpridas pela Vale. Entre os pontos destacados está o repasse de R$ 4,4 bilhões destinados ao programa de transferência de renda para atingidos por Brumadinho, encerrado oficialmente em outubro.

O instituto argumenta que o pacto, celebrado com o governo estadual e instituições de Justiça, teve caráter definitivo, o que impediria novas determinações judiciais que ampliem ou restabeleçam pagamentos.

Decisões judiciais reabriram obrigação de pagamentos

Apesar disso, associações que representam moradores afetados acionaram a Justiça alegando que os danos provocados pelo desastre ainda persistem. Como base, citam a Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens, sancionada em 2023, que amplia garantias a essas comunidades.

A partir desse entendimento, o juiz Murilo Sílvio de Abreu, da 2ª Vara da Fazenda Pública de Belo Horizonte, determinou a retomada dos pagamentos mensais.

A decisão chegou a ser suspensa após recurso da mineradora, mas voltou a ter efeito após nova análise do desembargador André Leite Praça, da 19ª Câmara do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que restabeleceu a obrigação em caráter liminar.

Ibram aponta contradição e leva caso ao STF

No pedido encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, o Ibram argumenta que há um conflito institucional. Isso porque o próprio Tribunal de Justiça de Minas Gerais participou da construção do acordo de 2021 e o reconheceu como definitivo.

Para o instituto, a manutenção de decisões que contrariam esse entendimento gera insegurança jurídica e exige uma definição por parte da Suprema Corte.

A análise do caso deve estabelecer um novo marco sobre a validade de acordos judiciais envolvendo grandes desastres e os limites para revisões posteriores.

Matérias Relacionadas

Quase seis anos após retomada, Samarco registra maior volume trimestral de produção

A Samarco encerrou o terceiro trimestre de 2026 com produção de 4,3 milhões de...

AngloGold Ashanti conquista primeiro lugar em prêmio nacional de boas práticas na mineração

AngloGold Ashanti vence prêmio do IBRAM após 18 meses de testes com carregadeira elétrica em mina subterrânea, avanço na estratégia de descarbonização da mineração brasileira

Gerdau fica entre as 300 melhores empresas do mundo para trabalhar em ranking da Forbes

Gerdau alcança a 274ª posição no ranking global da Forbes de melhores empresas para trabalhar em 2026 e é a única siderúrgica brasileira da lista

Mulher usa pedra de âmbar como peso de porta por décadas e descoberta é avaliada em € 1 milhão

Uma pepita de âmbar de 3,5 quilos, usada como peso de porta por décadas na Romênia, foi avaliada em cerca de 1 milhão de euros e virou tesouro nacional

últimas Matérias

Mineração Rio do Norte investe em linha de transmissão de 98 km para reduzir emissões em 90% no Pará

Mineração Rio do Norte implanta linha de transmissão de 98 km em Oriximiná, no Pará, com expectativa de reduzir em 90% as emissões associadas à geração de energia.

Hydro já usou 279 mil toneladas de caroço de açaí para substituir carvão na Alunorte

Hydro já utilizou 279 mil toneladas de caroço de açaí na Alunorte e avança no uso da biomassa para reduzir o consumo de carvão mineral.

Mineradora australiana encontra concentração de terras raras acima das expectativas em Poços de Caldas

Adquirido por R$ 80 milhões, projeto em Minas Gerais apresenta resultados promissores, mas avanço para exploração comercial ainda depende de estudos técnicos e licenciamento ambiental

Reparação do Rio Doce soma R$ 82,6 bilhões desde 2015; Samarco apresenta balanço de indenizações e obras

Perto de completar dois anos, Novo Acordo registra mais de 648 mil pessoas indenizadas desde a tragédia, reconstrução de distritos em Mariana e avanços ambientais, mas ainda reúne compromissos a serem cumpridos